Tchevap – O Sabor da Bósnia no Brasil

Ontem eu estava com uma amiga que é vegetariana. A gente estava morrendo de fome e eu não sabia dizer se os lugares que eu gosto tem opções para este tipo de público. Assim, sugeri o Calçadão Urbanóide na Rua Augusta, que é certeza de ter variedades vegetarianas e veganas.

Não passava por ali há alguns meses. Para minha surpresa há um novo food truck, logo na entrada, chamado Tchevap. “Tchevap” é o jeito que se pronuncia o nome de um prato bem típico da região dos Bálcãs – o Ćevapi (nome completo é Ćevapčići). Quando vi, fiquei mega empolgada e feliz porque após 4 anos eu finalmente poderia saborear novamente esta deliciosa iguaria.

Nos meus posts sobre a minha viagem à Bósnia eu mencionei a simpatia e hospitalidade das pessoas lá. Aqui não foi diferente: o bósnio Aleksandar Jokanvić foi sensacional e conversamos muito tempo sobre o país dele. Falei sobre os lugares que visitei em Sarajevo e sobre o tour em lugares afetados pela guerra. Ele me contou que fugiu de Sarajevo em 1993, quando a cidade ainda estava sob o cerco, e se estabeleceu aqui no Brasil. Ele trabalha com consultoria em T.I. mas há 3 meses entrou no ramo gastronômico. A intenção é expandir o negócio para outros bairros e até pensa em abrir um restaurante com mais opções de pratos de seu país natal. Eu torço muito para que ele consiga, pois a culinária da região tem uns sabores muito diferentes!

O tradicional Ćevapi do Tchevap é feito do jeito dos bósnios muçulmanos – sem a carne de porco. A descrição deles é: rolinhos de cordeiro e boi, grelhados em pedras vulcânicas, servidos no pão artesanal banhado em tutano (R$25)

Eles também oferecem a opção Tchevap Veggie, que são croquetes de lentilha, grão de bico, cenoura e cogumelos paris flambados na cachaça, grelhados em pedras vulcânicas, servidos com pão artesanal (R$20)

Esse pão artesanal é parecido com o pão pita que comemos aqui, só que mais grosso para que possa ser aberto e recheado.

Os acompanhamentos dos dois pratos são: alface, cebola roxa e os seguintes molhos:
Kopar – molho de iogurte, dill, cebolinha e maionese
Ajvar – pesto de pimentão vermelho e berinjela (se pronuncia Aivar)

O sabor me transportou de volta ao meu mochilão de 2013 no Leste Europeu. O Aleksandar me perguntou se era igual ao que comi na Bósnia e com certeza é. Comentei com ele que a única diferença é que lá na Bósnia vem cheio de cebola dentro. Ele disse que aqui não dava para fazer isso por causa do gosto dos brasileiros, e concordo com ele. Inclusive achei bem melhor sem aquela pilha de cebola dentro!

Eles vendem potinhos de Ajvar (R$16). Trouxe um para casa e já comi metade com torradinhas. É muito gostoso mesmo!

Se você quiser experimentar um pouco da culinária bósnia, este é o único lugar que vai encontrar por aqui em São Paulo e provavelmente no Brasil. Abaixo estão os detalhes que vieram no cartão de visita do Tchevap:

Telefone: (11) 96966-2596
Página: http://www.facebook.com/tchevap/

Hvala!

Sarajevo: o cerco narrado por uma sobrevivente

Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, o antigo Reino da Iugoslávia voltou trocando de nome algumas vezes até se tornar a República Socialista Federal da Iugoslávia. Josip Broz Tito começou como primeiro-ministro e durante a década de 50 foi eleito presidente. Acreditando que mantinha a união dos diversos povos da Iugoslávia, formada por Croácia, Eslovênia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Sérvia e Montenegro mais as regiões autônomas de Kosovo e Voivodina, ele governou até sua morte em 1980. Durante todo esse tempo como presidente não preparou um sucessor, e alguns anos após sua morte, a Iugoslávia começou a se desintegrar. Pouco a pouco os países começaram a proclamar independência, arruinando o sonho dos sérvios – a “Grande Sérvia”. O exército da Iugoslávia, formado principalmente por sérvios, se tornou praticamente o exército da Sérvia. Aqui os conflitos nos Bálcãs recomeçam. Com esse resumo da história em mente, vou contar o que ouvi sobre o cerco de Sarajevo de acordo com o relato de uma sobrevivente.

Times of Misfortune Tour

Em 1992 minha maior preocupação talvez fosse não perder a programação da TV cultura, enquanto começavam os conflitos dentro da Bósnia e mais especificamente o cerco a Sarajevo. Antes de viajar para lá, li muito a respeito do cerco, mas obviamente ouvir uma pessoa falando como foi ter passado tudo aquilo tem um efeito muito maior. A Insider Sarajevo oferece esse tour chamado “Times of Misfortune” que custa €27 e tem exatamente o objetivo de levar você aos lugares mais afetados pela guerra, contando todo o contexto histórico que levou a estes anos trágicos na história do país e como era o dia a dia de quem morava na cidade. O guia com certeza vai contar suas próprias experiências durante este período. Se você pretende fazer esse tour algum dia quando for a Sarajevo mas se considera muito sensível a cenas de guerra, não assista o vídeo no final. Para saber mais sobre alguns pontos históricos veja o post de Sarajevo, onde explico o que aconteceu em cada um deles.

E o tour começa…

Depois de contar um pouco do que eu escrevi na introdução sobre a queda da Iugoslávia, a própria guia já foi avisando que o povo de cada país da região tem uma fama, e que a dos Bósnios é de “idiotas”. O exército sérvio já havia atacado a Croácia, que já estava preparada para um possível ataque ao declarar independência e também a Eslovênia, que não sofreu tanto por ter poucos sérvios em seu território (foram 10 dias de guerra). Por outro lado a Bósnia, mesmo ciente disso, se declarou independente sem pensar na consequência de uma guerra, sem nenhum preparo para um ataque e acabou nesta situação.

Mapa que mostra o cerco de Sarajevo

 

Passamos pelo centro da cidade e subimos até o White Fortress de onde temos uma vista panorâmica de Sarajevo. De lá podemos ver o motivo pelo qual foi tão simples fazer o cerco: há montanhas em volta de toda a cidade. Os sérvios dominaram o único rio que passa pela cidade e se posicionaram estrategicamente nestas montanhas. Muito fácil de mirar e bombardear qualquer lugar:

  • A Biblioteca Nacional, que foi quase totalmente destruída e perdeu milhares de documentos históricos;
  • O Complexo Olímpico construído para os jogos olímpicos de inverno de 1984, que era motivo de orgulho da cidade;
  • A maternidade de Sarajevo, o que revoltou muito a população, já que nem os nazistas chegaram a atacar hospitais durante a Segunda Guerra Mundial. Esta maternidade só reabriu 18 anos depois;
  • A Cervejaria: há um lago subterrâneo na cervejaria e ela virou alvo de bombas e snipers por ser o único lugar da cidade com água potável. Pessoas morreram com tiros de snipers tentando chegar no local. A maioria da população só tinha água de ajuda humanitária, da chuva ou da neve derretida;
  • Os prédios de rádio, televisão e jornal;
  • Filas da ajuda humanitária: um dos primeiros massacres ocorridos em Sarajevo foi em um mercado onde as pessoas faziam filas para pegar pão da ajuda humanitária;
  • Velórios. Acredite se quiser, nem os velórios escapavam dos bombardeios. Tantas pessoas morreram em velórios que eles passaram a ser feitos em secreto à noite, quando a visão de quem atacava diminuía consideravelmente.

Sarajevo, cercada de montanhas

Nesta vista panorâmica percebemos o tanto de cemitérios que há na cidade. As mortes durante o cerco eram tantas que foi necessário transformar um estádio em cemitério de maneira provisória. Era tão certo que mais pessoas iriam morrer que as covas já ficavam abertas apenas esperando mais corpos serem enterrados. É claro que nem todas as mortes eram causadas por tiros ou bombas. Sem água, sem energia elétrica, sem comida, pessoas morreram de fome e frio. O inverno em Sarajevo é bem rigoroso, com temperaturas muito abaixo de zero. Na necessidade de aquecimento, praticamente todas as árvores da cidade foram arrancadas. Também queimavam sapatos, roupas, e até o assoalho arrancado do chão da casa para se aquecer.

O ponto de vista das pessoas lá sobre a UN (United Nations, ONU) é muito clara: United for Nothing (ou em português: Unidos para Nada). Eles acreditam que a intervenção foi pequena simplesmente porque o país não tem nada a oferecer. A ONU levou toneladas de medicação e comida para Sarajevo na época do cerco, mas segundo a guia contou, boa parte da medicação era desnecessária, por exemplo para febre amarela. A comida então pra mim foi uma das coisas mais absurdas: haviam sobras de enlatados que eram da ajuda humanitária enviada ao Vietnã (sim, comida fabricada nos anos 70!!!), mas mesmo assim as mulheres em Sarajevo faziam o possível para preparar a comida.

Em um dos quadros da exposição, há a seguinte informação: “Na primavera de 1993, todos as partes verdes da cidade incluindo parques foram fechados para que legumes fossem plantados. Isso facilitou a sobrevivência dos cidadãos. A sobrevivência dependia primeiro da ajuda humanitária. Em 1992 um sistema de ajuda humanitária foi estabelecido, funcionando com paradas ocasionais até o fim da guerra. A abertura das cozinhas nacionais, da Cruz Vermelha e outras instituições de caridade garantiram pelo menos uma refeição por dia para a maior parte das pessoas. Mesmo em tempos difíceis, as mulheres de Sarajevo aprimoraram a habilidade de sobrevivência. Elas podiam fazer uma torta com nada, maionese sem ovos, bolos sem açúcar, bifes sem carne e legumes. Parecia impossível, mas funcionou. Não há muitos daqueles que, depois de experimentar uma dessas especialidades durante a guerra, percebam a diferença para as comidas de verdade. Talvez realmente fosse como as de verdade, ou era apenas uma das maneiras de escapar da cruel realidade.”

A avenida principal da cidade se tornou o “Sniper Alley”. Muitos atiradores se posicionaram em cima dos prédios, não só os que ficavam nesta avenida principal, e sair andando pela cidade era arriscado. Era preciso esperar o momento certo para sair correndo, de preferência no meio da neblina. A crueldade dos atiradores era tanta que quando eles viam as pessoas passando, eles começavam atirando nos pés, depois nos joelhos só para a pessoa sentir dor antes de morrer.

Em 1992, a população da então sitiada Sarajevo era de aproximadamente 361.000. Nos 1425 dias de cerco os cidadãos de Sarajevo foram expostos à uma pesada artilharia, tiros de snipers e todos os tipos de agressão à pessoas inocentes. Eles consideram o cerco como o “maior campo de concentração na história”, onde cada pessoa era um alvo. Todos os dias, uma média de 329 granadas caiam e explodiam em Sarajevo, com um recorde de 3777 em 22 de Julho de 1993.

Mesmo sem eletricidade, gás, comida, medicamentos e ataques diários, eles se esforçavam em seguir com uma “vida normal”. As pessoas passavam a maior parte do tempo em porões e abrigos e ainda assim haviam concertos e outros eventos culturais. A Biblioteca da cidade teve mais leitores em 1993, apesar de muitos livros terem sido destruídos com bombardeios. Aulas eram feitas em salas improvisadas, porões e outros lugares fora do alcance dos atiradores de elite. Devido à falta de energia elétrica, eles passavam muito tempo em ambientes totalmente escuros com luz improvisada: eles mesmos faziam lâmpadas, velas e lanternas. Com a luz que conseguiam, pessoas liam, crianças desenhavam, faziam piadas e riam. No vídeo que assisti na Insider, ver os professores brincando com as crianças dentro do abrigo foi uma cena que me tocou muito, porque sorrir diante de uma situação tão calamitosa é para pessoas fortes. E pensar que às vezes ficamos mal por situações tão pequenas. Como nós reagiríamos vivendo assim? Será que teríamos o mesmo sorriso?

Passando pelo Túnel

Tunnel Tour

O “Times of Misfortune Tour” termina com a visita ao “Tunnel” ou “Túnel da Vida”.

Pouco mais de um ano depois do cerco, a população de Sarajevo estava passando fome e morrendo. Não havia como sair da cidade. Em 1993, numa tentativa desesperada, os engenheiros bósnios Nedzad Brankovic e Fadil Sero planejaram escavar um túnel embaixo do aeroporto. O túnel seria feito na casa da família Kolar em Butmir – uma comunidade de Sarajevo que ficava pouco além das linhas sérvias e próxima ao aeroporto. A família Kolar aceitou a proposta e o túnel começou a ser escavado em seu porão de maneira manual, pois não haviam muitas ferramentas para fazer esta construção.

Muitos problemas surgiram: o que fazer com a terra escavada sem levantar suspeitas, o que fazer com a água que enchia o túnel, como trazer os materiais necessários para fazer a estrutura, sem contar os bombardeios que interrompiam o trabalho. Depois de um tempo com o projeto parado, o presidente interveio e o exército bósnio começou a trabalhar no túnel 24 horas por dia em turnos de 8 horas. Os trabalhadores eram pagos com cigarros (os cigarros eram como moeda de troca durante a guerra).

Casa da Família Kolar, que virou o Tunnel Museum

Aproximadamente quatro meses depois, o túnel de quase 800m de extensão, 1,20m de largura e 1,60m de altura foi finalizado. Mais de 2 mil metros cúbicos de terra foram removidos e 170 metros cúbicos de madeira e 45 toneladas de metal foram usados para a estrutura. A entrada no túnel era controlada, mas chegou a levar 100 pessoas por viagem. Com tudo isso de pessoas, eles levavam aproximadamente 2 horas para percorrer os quase 800m. No Tunnel Museum você consegue percorrer 20m do túnel original. Eu já fiquei aflita de andar esses 20m num lugar tão fechado e escuro, imagina ficar duas horas com 100 pessoas lá dentro! Mas esse sacrifício era necessário.

Passei pelo Túnel o/

 

E foi assim que o túnel trouxe munição para o exército, remédios e comida para a população de Sarajevo, e também a maneira que muitos encontraram para fugir da cidade. As mochilas de suprimentos chegavam a pesar 50kg e eram carregadas muitas vezes por mulheres e até crianças. A nossa guia disse que quando era criança teve que carregar uma mochila daquelas. Tem uma no museu, eu tentei levantar e não consegui. A única explicação que eu encontro para isso é instinto de sobrevivência! Hoje, o túnel lembra a história de uma população que fez o que podia para continuar viva, e até mesmo com certa “alegria” em meio à uma situação calamitosa. Vale a pena a visita!

Mochila de suprimentos que chegava a pesar 50kg

Como é hoje…

Após o Acordo de Dayton, há a Federação da Bósnia e Herzegovina e República Srpska. Sarajevo é como se fosse a capital da Bósnia e Herzegovina e Banja Luka como se fosse a capital da República Srpska. Dentro das duas entidades, há 10 distritos praticamente divididos de acordo com as etnias, sendo que cada etnia tem um presidente e eles revezam o mandato a cada 8 meses, pelo que eu me lembro.

Como a Bósnia está dividida hoje. Créditos: página da Insider no Facebook

Em 2012, completaram-se 20 anos do início do cerco e como homenagem a todas as pessoas que morreram, foram colocadas 11.541 cadeiras vazias em uma avenida e realizado um concerto como homenagem às pessoas que morreram, sendo as cadeiras pequenas representando crianças. “Adivinha de quem eles compraram todas essas cadeiras? Dos sérvios”, disse a nossa guia, reafirmando a imagem de “idiotas” dos bósnios.

O que aconteceu em Sarajevo foi só uma parte do que houve por todo o país, onde aconteceram muitas coisas horríveis e mais de 100.000 pessoas morreram e mais de 2 milhões tiveram que deixar suas casas.

Apesar de um sofrimento recente, das divisões ainda visíveis e de um país sem recursos, o povo é muito simples, simpático, curioso e prestativo. O sorriso que eles tem no rosto hoje eu considero como uma lição de resistência e superação. Visite Sarajevo e descubra um pouco mais por você mesmo.

No próximo post: Ljubljana!

Sarajevo

Se a Bósnia e Herzegovina é abrigo de muitas etnias, a capital Sarajevo é o lugar onde todas se encontram. Mesquitas, igrejas e sinagogas – os judeus chegaram na cidade após perseguições na Europa ocidental há 400 anos – ficam a uma curta distância uma das outras. Historicamente a cidade teve sua época de glória quando o governador otomano Gazi Husrev-Bey mandou construir diversas mesquitas e o “bazar” que vemos hoje na parte histórica em meados do século XV. Sarajevo chegou a ser a cidade mais importante do Império Otomano depois de Istambul e assim permaneceu até o século XVII, quando o exército austro-húngaro de Eugênio de Savoia queimou toda a cidade. Se reconstruindo aos poucos, foi sob o domínio posterior dos Habsburgos que a cidade passou por um processo de desenvolvimento e mudanças sociais. Juntando com o cerco de Sarajevo ocorrido nos anos 90, parece que voltar das cinzas é uma característica histórica da cidade.

Não podemos esquecer que Sarajevo também foi palco do evento que iniciou a Primeira Guerra Mundial: o assassinato do arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando. Todo esse peso histórico atrai muitos turistas a visitar a cidade. Neste post, vou contar um pouco do que conheci em Sarajevo.

De Mostar a Sarajevo

Seja de trem ou de ônibus, o trajeto Mostar – Sarajevo é considerado cênico. Há apenas um trem por dia que vai de Ploče (Croácia) até Sarajevo, e Mostar é uma das cidades que o trem para. Já de ônibus, há mais flexibilidade: eles saem de uma em uma hora da rodoviária de Mostar e em pouco mais de duas horas você chega em Sarajevo. Tente sentar ao lado esquerdo do ônibus (atrás do motorista) para ter a melhor vista. Um pouco mais pra frente na estrada, há belas paisagens também do lado direito, mas dura pouco em relação a vista do lado esquerdo. Se você for de trem, basta fazer o contrário: sentar do lado direito e depois do esquerdo.

Trajeto cênico Mostar – Sarajevo

Em Sarajevo

A entrada da Nova Sarajevo, cheia de prédios modernos em uma larga avenida, não faz lembrar nem de longe um lugar em que houve uma guerra tão violenta há 21 anos. Ao contrário de Mostar, que como eu disse no post anterior é uma cidade pequena e sem recursos, a capital Sarajevo conseguiu se reerguer muito bem, apesar de você ainda ver claramente as marcas do cerco que durou quase 4 anos.

A rodoviária e a estação de trem ficam próximas. Saindo da rodoviária, siga em frente e vire à esquerda e logo após passar os correios já fica a praça da estação ferroviária. O ponto do tram 1, que é um circular da estação até a antiga Sarajevo, fica bem em frente. O condutor do tram entendeu mais ou menos o que eu perguntei, mostrei a localização do hotel pra ele no mapa e ele me ajudou a descer na parada certa.

Não tenha medo de andar em Sarajevo – me senti muito mais segura andando no centro de Sarajevo que no centro de São Paulo, Rio de Janeiro e Roma. Apenas tenha o cuidado que você teria andando em qualquer que você vai.

Dica que eu li em tudo quanto é guia / blog de viagem: não se esqueça que você está em uma cidade onde as pessoas levam  as etnias muito a sério. Nunca tente discutir assuntos políticos / étnicos da Bósnia com alguém de lá. Primeiro: porque você não vive lá e não conhece a complexidade do assunto. E segundo: porque é desnecessário. Também não julgue os sérvios como ruins e vilões da história, todos os lados cometeram suas atrocidades. Além disso, nem todos os sérvios eram a favor da guerra.  As pessoas mais legais que eu conheci na viagem toda eram bósnios sérvios de Banja Luka.

O Hotel

Eu havia reservado o B&B Divan, na cara da Old Town de Sarajevo. Chegando lá a recepcionista falou que teve um problema, algumas pessoas não haviam ido embora e ela já havia separado uma vaga no Hotel Latinski Most. Não era muito longe dali e sinceramente a localização era até melhor: de frente à Latin Bridge e rodeado de restaurantes a poucos metros de distância. Atendimento bom e o café da manhã tinha o essencial. Só atravessar a rua e você já está na Old Town de novo.

ONDE IR

Baščaršija

A Baščaršija (não me perguntem como se pronuncia!) é a principal atração de Sarajevo, o coração da cidade antiga (Old Town / Stari Grad). A palavra tem origem turca e significa “mercado principal”. Foi construída no século XV e possui diversas construções históricas, lojas, restaurantes e cafés. As lojas são organizadas por tipo de mercadoria. Por exemplo, a rua Kazandžiluk é famosa por vender diversos artigos de decoração em cobre. Em sua caminhada, coma um ćevapčići e fique com cheiro de cebola o resto do dia. Sem brincadeira: é muito gostoso, pode comer sem medo. O recepcionista do hotel que eu estava me recomendou um lugar muito bom pra comer o ćevapčići: Mrkva. Os funcionários do restaurante eram muito gente fina. Tudo bem que eles riram da minha cara porque eu não conseguia falar “chevápchichi” – é mais ou menos assim que se pronuncia – mas valeu a pena!

Sebilj

Na Baščaršija fica um dos símbolos de Sarajevo: a Sebilj, a fonte que fica na praça que chamam de “praça dos pombos”. Pode pegar água lá, é potável. Outras atrações nos arredores:

Gazi Husrev-Bey’s Bezistan (Covered Bazaar)

Construído em 1540, é como se fosse um pedacinho de Istambul em Sarajevo. Faz comércio de diversos artigos. Aproveita de uma vez e já veja o Sahat Kula (torre do relógio), a Gazi Husrev-Bey’s Mosque (a mesquita mais importante da Bósnia) e a Gazi Husrev-Bey’s Madrassa (Kuršumli madrassa, escola muçulmana).

Eu não entrei em nenhuma mesquita, mas se você pretende visitar alguma, lembre-se do “dress code”: roupas modestas, mulheres com a cabeça coberta. Não se esqueça que eles tiram os sapatos também.

Vijećnica – Biblioteca Nacional da B&H

Uma das mais importantes construções do período austro-húngaro, a Biblioteca Nacional foi um dos primeiros alvos dos sérvios durante o cerco de Sarajevo. Em 1992, mísseis destruíram a biblioteca com diversos documentos históricos muito importantes. Algumas pessoas arriscaram a vida para salvar alguns documentos de dentro da biblioteca, dizem que uma pessoa morreu com um tiro de um sniper (atirador de elite).

Vedran Smailović, o Violoncelista de Sarajevo tocando na Biblioteca Nacional em 1992 (www.theatlantic.com)

Cerveja de Sarajevo

Sarajevska Pivara – Cervejaria de Sarajevo

Logo no início do cerco, o sistema de distribuição de água foi destruído. Sem água, as pessoas tinham que se virar coletando água da chuva e derretendo neve para ter alguma água. O rio principal, que não tinha água potável, foi dominado pelos sérvios. Aí entra o importante papel que a Cervejaria de Sarajevo teve durante o cerco:  ela fica sobre um lago subterrâneo e tem um poço próprio. Assim, foi praticamente a única fonte de água limpa para parte da população de Sarajevo. O problema era chegar lá: o lugar acabou sendo alvo de mísseis e snipers. Hoje, a cervejaria fica aberta para visitação e tem um restaurante dentro.

Bursa Bezistan – Museu de Sarajevo

Construído em 1551, o local era utilizado para compra e venda de seda. Também foi bombardeado durante o cerco, foi restaurado e agora há uma exibição permanente em ordem cronológica desde a pré-história ate a época do período da dominação dos impérios Otomano e Austro-Húngaro.

Site Oficial: http://www.muzejsarajeva.ba

Svrzo’s House

O museu mostra uma casa típica da Bósnia na época do império Otomano. É totalmente construída de madeira e o interessante é que tem a “selamluk”, parte da casa onde se recebiam os convidados homens e onde eram acomodados os domésticos,  e a “haremluk”, onde apenas a família tinha acesso. Um mergulho na cultura muçulmana!

Latinska ćuprija – Ponte Latina

Na época da Iugoslávia, era chamada “Principov most” – Ponte do Príncipe. Foi próximo a esta ponte (também herança do Império Otomano) que o bigodudo arquiduque Francisco Ferdinando foi assassinado por um sérvio. Este assassinato foi o estopim que deu início à Primeira Guerra Mundial em 1914. De frente à ponte, há o Museum Sarajevo 1878 – 1918. A exibição começa com a ocupação da Bósnia e Herzegovina pelo império Autro-Húngaro e termina na Primeira Guerra Mundial, com mais detalhes do assassinato do arquiduque e o envolvimento da Bósnia nesta guerra.

Ponte Latina

The Eternal Flame

Markale Green Market (Mercado de Sarajevo) & Market Hall

Gradska trzinca, um mercado municipal construído em 1894 e um de rua. Os locais são lembrados por causa de dois massacres ocorridos durante o cerco de Sarajevo. Um deles matou pessoas que faziam fila para pegar pão da ajuda humanitária. A maioria culpa as forças do exército sérvio pelo massacre, enquanto estes dizem que o governo da Bósnia bombardeou seu próprio povo para chamar atenção das Nações Unidas para conseguir ajuda. Pura teoria da conspiração. Talvez não saberemos nunca os reais responsáveis.

Vječna Vatra – A Chama Eterna

Construído para homenagear as pessoas que ajudaram a libertar Sarajevo do fascismo após a Segunda Guerra Mundial. Esta chama só se apagou uma vez durante o cerco, quando houve falta de combustível na cidade. No muro atrás da chama, foi adicionado posteriormente um texto em homenagem àqueles que ajudaram a libertar Sarajevo da guerra nos anos 90.

Memorial às Crianças de Sarajevo

Seguindo pela Maršala Tita, você vai passar pelo Banco Central e logo depois verá uma praça onde há um memorial em homenagem às mais de 1.300 crianças mortas durante o cerco em Sarajevo. O mais incrível é que o memorial representa uma mãe protegendo seu filho e é feito de material coletado após a guerra, como armas e granadas. Crianças amigas das que foram mortas deixaram as marcas de seus pés na escultura. 

Memorial às crianças de Sarajevo

Uma das Rosas de Sarajevo (www.trekearth.com)

Rosas de Sarajevo

Aproximadamente 330 granadas caíram por dia em Sarajevo durante os 1425 dias do cerco. As marcas que explosões fizeram no concreto das ruas da cidade formam um padrão que lembram rosas e diversas delas foram preenchidas com resina vermelha. Estas são as “Rosas de Sarajevo” – uma homenagem às pessoas que foram mortas durante o cerco. Andando pela cidade, você encontrará várias dessas “rosas” pelo chão.

Saindo um pouco do centro histórico de Sarajevo, você pode visitar:

Complexo Olímpico – Zetra Olympic Complex & Olympics Museum

Em 1984, Sarajevo orgulhosamente sediou os jogos olímpicos de inverno. Foi feita toda uma estrutura para receber o evento e o museu foi aberto no mesmo ano, pouco depois do encerramento dos jogos. O estádio e o museu, símbolos tão importantes para a cidade, foram alvos dos mísseis durante a guerra também.  Algumas áreas do complexo olímpico serviram para armazenar suprimentos. Os assentos de madeira foram usados para fazer caixões para os mortos. Após a guerra o estádio e o museu foram reconstruídos.

Bijela Tabija – A Fortaleza Branca

Não se sabe ao certo quando a fortaleza foi construída. Alguns estudos apontam que foi aproximadamente em 1550, com um arquitetura que lembra o estilo gótico da Hungria. Visitando este lugar, você tem uma vista panorâmica de Sarajevo.

White Fortress

National Museum

O Museu Nacional da Bósnia e Herzegovina é dividido em quatro partes: arqueologia, etnologia, ciência natural e biblioteca. Neste museu você pode ver a famosa Hagadá de Sarajevo. Hagadá é um texto que narra a libertação dos israelitas do Egito. Os judeus a usam na noite do Pessach – a páscoa judaica. A Hagadá de Sarajevo foi escrita no século XIV, na Espanha. Por causa da inquisição espanhola em 1492, ela passou por várias pessoas até chegar em Sarajevo, onde foi salva mais duas vezes. A primeira vez foi durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas pediram a Hagadá para jogar na fogueira e o curador do museu a escondeu (ninguém sabe onde exatamente), arriscando sua vida por dizer que outro oficial nazista já havia levado a Hagadá. Ela reapareceu após o fim da guerra no Museu. A segunda vez o então diretor do museu Enver Imamović se arriscou com diversos policiais para buscar a Hagadá de dentro do museu e transferir para um cofre no Banco National durante a época do cerco. Por causa dessas histórias você já vê porque é considerado um objeto de tanto valor para eles. Tudo isso inspirou a escritora Geraldine Brooks a escrever “Memórias do Livro”, uma ficção baseada na história da Hagadá. Muito bom livro por sinal!

Um pouco mais da história da Hagadá de Sarajevo no site oficial: http://www.haggadah.ba/?x=1

Times of Misfortune Tour

Se você quer conhecer a história de Sarajevo durante a época do cerco, tem que fazer a Times of Misfortune Tour, pela Insider Sarajevo. Os guias contam um pouco da história do conflito e como era a vida durante o cerco de Sarajevo (afinal eles viveram tudo isso) enquanto levam o grupo para ver os lugares que foram relevantes e que sofreram mais com a guerra, como o Complexo Olímpico e o Túnel (Tunnel of Life – obrigatório visitar em Sarajevo!). Aqui tem muita história pra contar e por isso vou fazer um post só para esse tema.

Panorama de Sarajevo

Outras atrações que você pode visitar são: Parque At Mejdan & Music Pavillion, House of Spite, o Main Park (um parque que tem uns túmulos no meio do caminho, muito estranho), Galeria Nacional, Teatro Nacional e a Academia de Artes.

EU NÃO FIZ, VOCÊ PODE FAZER!

Tem muitos passeios e excursões a partir de Sarajevo onde você pode aproveitar muito da belíssima natureza da Bósnia e conhecer a cultura dos vilarejos do país.

  • Bosnian Pyramids
  • Lukomir
  • Skakavac waterfall
  • Sutjeska National Park (põe no Google imagens, certeza que você vai ficar com vontade de ir!)
  • Umoljani – 7 watermills
  • Rafting no Rio Neretva

Confira no site da Insider e da Green Visions.

POR QUE IR A SARAJEVO?

Sarajevo é um lugar conhecido como o encontro do oriente com o ocidente. Isso já é motivo suficiente para ser um lugar fantástico. Toda a influência do Império Otomano nos mostra uma cultura bem diferente do que estamos acostumados. Ainda temos a possibilidade de observar a mistura étnica e como as pessoas souberam [sobre]viver e seguir em frente após as guerras mundiais e conflitos que deixaram a cidade com profundas marcas que ainda estão cicatrizando. Sarajevo é de fato um lugar único e cheio de muita história! No próximo post: a vida durante e depois do cerco de Sarajevo.

Sarajevo ❤

Mostar

– Meu, ficou maluca? O que você vai fazer na Bósnia?

Resposta padrão de todos meus amigos quando eu dizia que queria ir pra Bósnia nessa viagem. Quando se fala “Bósnia”, provavelmente vem à memória da maioria das pessoas a triste guerra, o cerco de Sarajevo que passava na TV o tempo inteiro e as minas terrestres que ainda estão espalhadas pelo país. Mas não tinha jeito: quanto mais eu lia sobre o país, mais vontade eu tinha de ir pra lá. Como seria um país que passou por uma guerra tão recente? Como seria o povo? Obviamente não foi o país mais bonito que eu conheci, mas o que eu vi lá e o jeito das pessoas me marcou de uma forma que tomei a passagem pela Bósnia como uma lição de vida. No decorrer dos posts vou contar o porquê.

De Dubrovnik a Mostar

Em Mostar há uma estação de trem, mas em Dubrovnik não, então fui de ônibus. Diariamente saem uns 3 ou 4 ônibus de Dubrovnik a Mostar. O percurso dura mais ou menos de 3 a 4 horas. A estrada vai passando por lugares muito bonitos, bonitos e a partir daí,  pouco a pouco você começa a enxergar as marcas de uma das guerras civis mais sangrentas da história. Casas abandonadas no meio da estrada, com muitas marcas de tiro, algumas totalmente destruídas, acredito que por causa de algum míssil ou granada. É a preparação para o que vem pela frente em Mostar.

Mostar

Em Mostar

Os conflitos entre os países da antiga Iugoslávia foram tantos que é até difícil explicar de forma individual. Na Bósnia há três etinias e religiões dominantes:  bósnios sérvios (cristãos ortodoxos), bósnios croatas (católicos romanos) e bosníacos (ou bósnios muçulmanos) – como podemos ver, são os motivos de sempre para fazer guerra. Após a declaração de independência da Bósnia e Herzegovina, Mostar a princípio foi atacada pelo exército Iugoslavo (JNA). O então Conselho de Defesa da Croácia (formado pela etnia bósnio croata) e o Exército da República da Bósnia e Herzegovina  (bosníacos) uniram forças para expulsar o JNA de Mostar, e pouco após conseguir, o Conselho de Defesa da Croácia cercou e atacou a cidade entre 1992-1993. O cerco só acabou quando o Exército da República da Bósnia fez uma operação para conseguir tomar o poder novamente e acabar com o cerco. Podemos dizer que foi uma guerra entre croatas e muçulmanos.

Mostar é uma cidade histórica bem pequena e sem muitos recursos. Desta forma, mesmo tantos anos depois, eles não conseguiram reconstruir muita coisa. Se eu senti um soco no estômago vendo as esparsas casas destruídas à beira da estrada, meus olhos encheram de lágrimas quando o ônibus entrou na avenida principal. É muito diferente você ver uma foto aqui, outra ali enquanto lê a história e VER o conjunto todo com seus próprios olhos. É como se você conseguisse sentir um pouco do terror que as pessoas passaram ali. Marcas de bala para todos os lados e muitos edifícios completamente em ruínas, abandonados. À noite deve ser quase uma cidade fantasma.

Banheiro da estação em Mostar

A estrutura da cidade é meio precária. No guia que eu comprei diz que só há duas estações de ônibus, dois correios e dois corpos de bombeiros – um Croata e um Bosniak. A estação de trem fica ao lado da estação de ônibus. Para sentir a precariedade do lugar, basta ver o banheiro da principal estação de ônibus: a placa do banheiro feminino lembra uma mulher nos anos 80. Precisa pagar para usar o banheiro, e quando você entra, uma bela surpresa. Pelo menos tem wi-fi grátis na estação =)

Eu não sei como é a relação entre as pessoas dessas etnias na cidade, mas posso garantir que precisei de ajuda para chegar na Old Town de Mostar e as pessoas foram muito simpáticas e prestativas, apesar de muitos falarem só um pouco de inglês. Os que não falavam, eu dizia “Stari Grad” (cidade antiga) ou “Stari Most” (ponte antiga) e eles não só me apontavam a direção (uma senhora até desenhou o trajeto num pedaço de papel!) como só faltaram sair pra me levar até lá.

Curiosidade: o “ali” dos bósnios é igual o “ali” do mineiro: pelo que eles falam parece que é perto mas a distância é bem grande. Aconteceu comigo tanto em Mostar como Sarajevo. Em Mostar eu fiz tudo a pé mesmo, mas em Sarajevo, se você estiver cansado e não quiser andar, seja específico: peça a informação onde você pega o tram para ir para seu destino.

A princípio pode ser assustador andar por Mostar por causa de toda aquela destruição aparente, mas não tenha medo: não vi nenhuma pessoa suspeita na rua. Há poucos mendigos na cidade, mas a maioria pede em silêncio.

Mostar

Ruínas em Mostar

Marcas da Guerra

Muitas marcas

ONDE IR

OLD TOWN (STARI GRAD)

Deixei minha mochila no “Garderoba” – o guarda-volumes da rodoviária, peguei alguns marcos bósnios no ATM (mas lá eles aceitam euros e kunas também) e fui caminhar pela cidade antes de pegar um ônibus para Sarajevo. Fui seguindo o caminho que as pessoas me indicaram até chegar na Old Town de Mostar, que mostra bem a herança do Império Otomano na Bósnia. O comércio é bem intenso lá e as coisas são baratas. Andei bastante, fiz compras, escorreguei nas lisas pedras da Old Town, passei por algumas mesquitas, mas a minha surpresa maior foi chegar perto do rio Neretva. Acho que foi o rio mais lindo que eu já vi. A valsa “Danúbio Azul” (que de azul não tinha nada) deveria se chamar “Neretva Azul”, certeza! Com o calor, muita gente estava tomando banho no rio.

Rua da Old Town

OLD BRIDGE (STARI MOST)

A Stari Most (Ponte Velha) é o símbolo de Mostar. Ela foi finalizada no século XVI e inclusive havia sobrevivido à ocupação italiana na Segunda Guerra Mundial, mas não sobreviveu aos ataques dos bósnios croatas em 1993. Após o término da guerra, fizeram uma réplica da ponte original e ela inaugurou em 2004.

Old Bridge – Stari Most

MUSLIBEGOVIC HOUSE

Este hotel / museu conta um pouco da história do período do Império Otomano.

Site Oficial: http://www.muslibegovichouse.com/

MUSEUM OF HERZEGOVINA

Exposições e mostras históricas sobre Mostar e a Herzegovina. Conta com milhares de documentos, objetos e achados arqueológicos em sua exposição permanente.

Site Oficial: http://www.muzejhercegovine.com/

MESQUITAS

Para quem nunca teve a oportunidade de ver uma:

  • Karadozbeg Mosque
  • Koski Mehmed Pasa Mosque
  • Roznamedzi Ibrahimefendi Mosque

RUÍNAS

Você vai encontrar ruínas em toda a parte, mas as duas mais visitadas são: as ruínas da Igreja Ortodoxa e as ruínas do Ljubljanska Banka Tower.

Uma galeria de fotos de Mostar: http://www.pbase.com/alangrant/mostar

POR QUE IR A MOSTAR:

Um passeio por Mostar é uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que você vê pura história e uma bela natureza, você vê as marcas da guerra de uma maneira muito profunda. Nesse momento que você se sente mal porque às vezes tem tudo, nunca passou por uma situação tão bizarramente horrível mas vira e mexe reclama por pouco, se amargura por menos ainda. Apesar das cicatrizes ainda não fechadas de uma guerra recente e de ainda existir uma barreira étnica no país as pessoas tratam quem vem de fora bem, não são revoltadas. Ir à Mostar ou outro lugar da Bósnia pode sim trazer uma lição que faz você refletir e melhorar. Fui aprender um pouco mais da força desse povo em Sarajevo. Conto tudo no próximo post.

Rio Neretva

Beleza natural de Mostar