Berlim

Ao contrário do que eu imaginava, Berlim é uma cidade bem moderna. Pouca coisa da época da guerra ficou para mostrar todo o peso que esta cidade teve no cenário histórico mundial. Diria apenas fragmentos, mas que marcam o suficiente numa visita a Berlim.

Vendo Berlim de cima, percebi como o crescimento é organizado. Na verdade tudo é organizado e limpo. As pessoas (também ao contrário do que eu imaginava), são bem prestativas e simpáticas. Mesmo que você peça informação a uma pessoa que não fala inglês, ela vai tentar ajudar. O que mais me impressionou em Berlim é que apesar de ser capital de um dos países mais ricos da Europa, os preços no geral são bem acessíveis: hotéis, alimentação, roupas muito mais baratas em relação à Itália.

Assim como Munique, Berlim conta com os sistemas S-Bahn e U-Bahn de metrô. Eu contei 25 linhas nos dois sistemas e na época que eu fui, obras estavam sendo realizadas para ampliação das linhas. Como já havia comentado, às vezes para fazer conexão de uma estação U-Bahn para S-Bahn é necessário sair da estação e atravessar uma rua, ou caminhar pouca coisa. Há muitos ônibus e trams também, o que torna a locomoção por Berlim simples.

Outro método de conhecer Berlim é fazer os roteiros de bicicleta. Há muitos quilômetros de ciclovia na cidade. Li um artigo na revista Planeta que talvez possa interessar a quem curte andar de bicicleta:

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/466/artigo226032-1.htm

De Munique a Berlim

Foram mais 10 horas em um trem City Night Line da DB Bahn. Ao menos este era confortável. As poltronas reclinavam bastante, eram espaçosas, tinham apoio para os pés. Lembre-se de como ler o seu bilhete de trem:

  • “Hauptbahnhof ” ou “Hbf” significa estação central;
  • “Gleis” ou “Gl.” é o número da plataforma;
  • “Wagen” ou “Wg” é o número do vagão;
  • “Platz” ou “Pl.” é o número do seu assento;
  • “Gang” se refere ao assento do corredor
  • “Fenster” se refere ao assento da janela.

Em Berlim

Desci na estação Berlim Hauptbahnhof. Há várias placas indicando a direção do posto de informações turísticas. Lá eu peguei o mapa do metrô e comprei o Berlin Welcome Card. O preço varia de acordo com a quantidade de dias que você pretende ficar. Inclui um guia da cidade, vouchers de descontos em pontos turísticos e um bilhete que você utiliza em toda a rede de transporte público. Eu comprei o que valia por 48h e paguei €16,90. Se você quiser o que vale por 48h em Berlim e Postdam, o valor é um pouco maior. Aqui no site do Berlin Welcome Card você encontra informações sobre os lugares a visitar em Berlim e como funciona os descontos pelo Card.

A estação Berlim Hauptbahnhof (Central) é atendida por diversas linhas de metrô. Eu desci até a escada rolante, e para minha surpresa, já estava na plataforma do metrô. Não, o metrô de Berlim não possui catracas. Mas não se engane, quem não tem o bilhete de metrô compra (há máquinas de autoatendimento nas plataformas para comprar o bilhete). Provavelmente em alguns momentos aleatórios fiscais devem passar para verificar se você está com um bilhete válido. Não vi isso acontecer nenhuma vez em Berlim, mas em Madrid (que possui catracas) os fiscais entram com os seguranças para verificar seu bilhete.

É necessário validar o bilhete de metrô, inclusive o ticket que vem com o Welcome Card. As 48h são contadas a partir da data e hora impressa nele.

Outra coisa curiosa sobre o metrô de Berlim: você vai ver algumas placas nas plataformas do metrô que falam sobre o sentido “Ring” (anel). São linhas que percorrem as estações do centro de Berlim numa forma circular. A linha S41 vai no sentido horário e S42 no sentido anti-horário.

O Hotel

Em Berlim eu fiquei no Hotel Pension Kima. Fica em um prédio bem antigo (fiquei com medo do elevador), mas a diária é barata e o café da manhã é bom. No geral, não é lá essas coisas, mas pelo preço valeu. O melhor é a localização: no bairro de Charlottenburg e quase na esquina da avenida Kurfürstendamm, a principal avenida de Berlim. Apesar de ficar numa localização nobre, há diversos restaurantes nesta avenida com preços razoáveis. As principais lojas de grife ficam no entorno. Para chegar até lá, basta descer na estação Adenauerplatz.

O Roteiro

Por causa da minha ansiedade, o primeiro lugar que resolvi ir foi no Muro de Berlim (Berliner Mauer). O que sobrou do muro virou uma galeria de arte. O pouco mais de um quilômetro de muro que sobrou foi coberto por grafite. Para chegar lá de metrô, basta descer na estação Ostbahnhof e descer a Straße der Pariser Kommune até a Mühlenstraße, onde você já estará de cara com a “East Side Gallery” do Muro.

337529_200507333347932_1838115600_o

Derrubando o Muro de Berlim

De lá, peguei o metrô e fui até a estação Alexanderplatz. Próximo a esta bela praça está o Fernsehturm (uma torre de televisão de Berlim) e a Marienkirche (uma igreja bem antiga). Você pode ir ao topo do Fernsehturm para uma vista panorâmica da cidade, cortada pelo rio Spree. Com o Welcome Card o valor da entrada ficou em €8,20. 

330653_200507366681262_1861153818_o

Fernsehturm

Andando um pouco a partir da Alexanderplatz, encontramos à beira do rio Spree o Nikolaiviertel (Quarteirão de São Nicolau). Neste local se concentravam diversas casas antigas, que foram destruídas na segunda guerra. Foram feitas réplicas de alguns prédios antigos após a reconstrução. Aqui você encontra passeios de barco pelo rio Spree.

329647_200507706681228_412468827_o

Passeio de Barco no Rio Spree

Do Nikolaiviertel você consegue avistar o Berliner Dom, uma famosa catedral protestante. Continuando a caminhada, começa uma das ruas mais famosas de Berlim, a Unter der Linden. Caminhei esta rua inteira, passando por vários museus e lugares históricos, como o Altes Museum, o Neue Wache, a Bebelplatz (praça onde Hitler mandava queimar livros), dentre outros.

No final da caminhada, cheguei a um dos pontos mais visitados, símbolo e cartão postal de Berlim: o Portão de Brandemburgo (Brandenburger Tor). Atrás dele à direita está o Reichstag, na Praça da República, prédio onde fica o parlamento alemão. Seguindo em frente, você pode ir fazer uma caminhada no Tiergarten, o maior parque de Berlim. Indo à esquerda do Portão de Brandemburgo você chega na Postdamer Platz,  um grande centro econômico e comercial de Berlim que vale a pena uma visita. Nos três pontos turísticos há estações de metrô.

288997_200507983347867_576073581_o

Minha foto maravilhosa do cartão postal de Berlim – Portão de Brandemburgo

Caminhei de volta até a Friedrichstraße, onde comi um joelho de porco sensacional com salada e chucrutes por €6,00 (e aqui no Jucalemão custa R$60,00). Depois continuei em frente até chegar ao Checkpoint Charlie, que funcionava bem mais como uma fronteira, uma divisão na cidade entre a parte oriental e ocidental. Há dois museus próximos: Haus am Checkpoint Charlie e o Jüdisches Museum. Para chegar lá de metrô, desça na estação Köchstraße.

325488_201468736585125_1289798892_o

Checkpoint Charlie

Minha próxima parada era o Schloss Charlottenburg, um palácio de verão construído em 1699. O palácio mostra a história e muitas obras de arte. A caminhada entre a estação Richard-Wagner-Platz e o palácio é bem legal – você passa por um jardim/parque muito bonito.

288803_201469426585056_937332164_o

Schloss Charlotenburg

Outros pontos que podem interessar:

  • Kulturforum;
  • Pergamonmuseum;
  • Zoologischer Garten;
  • Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche;
  • Sammlung Berggruen.
(Lógico que esses nomes em alemão tive que pesquisar no Google, língua complicada!)

Aqui finalizou meu passeio de 2 dias em Berlim. Saber de um pouco do que não só esta cidade passou há algumas décadas e ver como ela é hoje deixa uma admiração em relação à sua recuperação, sua volta por cima. Com certeza recomendo Berlim e pretendo voltar quando puder.

E lá ia eu novamente pegar outro City Night Line zoado (pior que o primeiro) para Amsterdam D: