Auschwitz-Bikernau – Uma Visita ao Campo de Concentração

Além de ser parte do currículo escolar em história, o holocausto é tema de diversos filmes, documentários e livros. Todos temos ideia do que aconteceu em campos de concentrações durante a Segunda Guerra Mundial. Mas colocar os pés no lugar e ver com seus próprios olhos as instalações fazem com que a história se encaixe de uma maneira inexplicável na sua mente.

Antes de contar minha experiência, vou ser bem sincera: a visita a um campo de concentração não é para todo mundo. Alguns setores podem ser chocantes e as histórias que os guias contam podem ser bem desagradáveis. Se você se considera sensível avalie bem suas condições emocionais e decida se é viável fazer esse tour ou não.

NA CRACÓVIA

O complexo de campos de Auschwitz fica a aproximadamente 1h30 da cidade de Cracóvia, na Polônia. Eu fiquei quatro dias lá e resolvi tirar um dia para ir aos campos. Existem diversas agências espalhadas pela cidade que oferecem o tour que inclui o transporte e o guia em inglês. Eu decidi pagar o tour porque estava interessada em ouvir os conhecimentos do guia e pela praticidade de já ter o transporte incluído.

Caso você decida fazer o tour sozinho, é possível chegar a Auschwitz de van e de trem a partir da Cracóvia. A cidade em questão se chama Oświęcim. A van é mais recomendada pois deixa bem na entrada do museu, enquanto a estação de trem fica a quase 2km de distância – o que significa uns 25 minutos de caminhada ou pegar ônibus local. A passagem das vans custa aproximadamente 12zł cada trecho e as que saem cedo lotam rápido.

A entrada para o museu sem guia é gratuita, mas confira as regras no seu planejamento porque existem alguns horários específicos para fazer a visita sem guia em alta temporada. É possível chegar lá sozinho e pagar por um guia ou se juntar a um grupo, mas também existem horários específicos para quem quer o tour em inglês ou espanhol.

São dois campos em questão para visitar: Auschwitz I e Bikernau, também conhecido como Auschwitz II. A distância entre os dois campos é de aproximadamente 3,5km. O museu oferece traslado em ônibus entre os dois campos da seguinte forma: entre Abril e Outubro, ônibus a cada 10 minutos. Entre Novembro e Março, ônibus a cada 30 minutos.

OBS: A 6km ainda existiu um terceiro campo importante, o de Monowitz (Auschwitz III). No total, o complexo de Auschwitz incluía mais de 40 sub-campos.

Mais informações: http://visit.auschwitz.org/

Recomendações:

  • Tempo de Visita –  o site oficial recomenda que você reserve no mínimo 3h30 para visitar os pontos principais de Auschwitz I e Auschwitz-Bikernau. Sim, é um grande complexo e talvez leve mais tempo que isso.
  • Alimentação – quando fechei o tour na Cracóvia, a atendente me orientou a levar meu próprio lanche pois as opções no local eram poucas. Eu cheguei a levar água e lanche mas só tomei água, porque fiquei sem fome o dia todo vendo aquelas coisas.
  • Respeito – lembre-se do local que você está visitando e o que ele representa. Se comporte com respeito em memória das milhares de pessoas que sofreram e morreram aqui. Use seu bom senso caso você queira tirar fotos nos lugares que são permitidos.

AUSCHWITZ I – “ARBEIT MACHT FREI” 

“O trabalho liberta” – esta frase foi colocada no portão de diversos campos de concentração, incluindo Auschwitz. Considerando o que houve nos campos, a sentença soa com uma imensa crueldade – diz a lenda que a idéia da mensagem era dizer que o trabalho árduo traz um tipo de libertação espiritual. Para mim a idéia é nada mais do que “trabalhe até não aguentar mais e se liberte através da morte”.

Por causa das prisões em massa, as penitenciárias locais na Polônia não tinham mais espaço. Assim nasceu o campo de Auschwitz, fundado em 1940 na cidade de Oswiecim, cidade que foi anexada ao Terceiro Reich pelos nazistas – que já vinham ativando campos de trabalhos forçados desde a década anterior.

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“O Trabalho Liberta” – Inscrição no portão de entrada de Auschwitz

A guia contou que como antigamente as notícias eram difíceis de confirmar, os nazistas divulgavam que Auschwitz era um lugar onde as pessoas poderiam trabalhar e começar uma nova vida. Os trens iam tão lotados de judeus indo aos campos, iludidos pela perspectiva de uma vida melhor, que muitas pessoas morriam no caminho por falta de ar – e talvez esses tenham dado sorte. Isso quer dizer que no começo os nazistas não precisaram se esforçar tanto em capturar as pessoas e levar ao campo de concentração. Neste primeiro campo, o número de prisioneiros flutuou entre 15 a 20 mil pessoas.

Ao sair do trem, as famílias eram separadas; Os incapacitados para o trabalho eram mortos: crianças muito pequenas, deficientes, idosos, doentes. As crianças gêmeas eram submetidas a estudos científicos nazistas – eles queriam conseguir produzir mais gêmeos.

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Apesar de o campo ter sido construído a princípio para receber prisioneiros poloneses, posteriormente recebeu também diversos outros tipos de pessoas. Cada prisioneiro era identificado com um símbolo no famoso uniforme listrado. As principais categorias eram:

Judeus – eram registrados em sua maioria como presos políticos. Inicialmente eram diferenciados de outros presos políticos por um triângulo amarelo no fundo e um triângulo invertido em vermelho, formando uma Estrela de Davi. Depois eles passaram a ser identificados com um triângulo vermelho e um pequeno retângulo amarelo acima do triângulo.

Presos Políticos – marcados com um triângulo vermelho, eles tinham alguns privilégios aprovados pela polícia alemã. Em sua maioria eram poloneses, tchecos, iugoslavos, ucranianos e russos. Havia uma minoria alemã e austríaca nessa categoria.

Criminosos – marcados com um triângulo verde, eram enviados para os campos após cometer algum crime ou após deixar a prisão em casos que a polícia decidiu que a sentença dada pelo tribunal era muito suave. Geralmente esses prisioneiros eram alemães.

Antissociais – marcados com um triângulo preto, eram levados aos campos de concentração por “vagabundagem ou prostituição” – na prática, por comportamentos não aprovados pelas autoridades alemãs. Os ciganos, por exemplo, eram identificados com o triângulo preto.

Testemunhas de Jeová – marcadas com um triângulo roxo, foram enviadas ao campo de concentração por sua neutralidade e posição pacífica, atitudes que no Terceiro Reich eram vistas como sendo contra o governo. Isso incluía a recusa em fazer a saudação “Heil, Hitler!” e se alistar no exército para a guerra. A maioria desses prisioneiros eram poloneses e alemães.

Homossexuais – marcados com um triângulo rosa com base na seção 175 do Código Penal Alemão. Esta categoria de prisioneiros era composta por alemães.

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Classificação de Prisioneiros

A classificação acima foi retirada de http://en.auschwitz.org/lekcja/1/

Auschwitz I é basicamente um complexo com pequenos prédios,  todos de concreto. Cada galpão está aberto hoje abrigando temas específicos. É triste ver o galpão com as milhares de fotos de pessoas que estiveram lá. É possível ver como eram os quartos e objetos pessoais dos prisioneiros. O que me chocou mesmo em Auschwitz I foram ver os tipos de celas construídas com requintes de crueldade. Eu mesma me senti sufocada só de olhar. Aqui também aprendemos que os judeus, antes de serem mortos, tinham que tirar os sapatos –  sapatos eram muito valiosos na época e aparentemente os judeus não mereciam ter aquilo.

Em Auschwitz I é possível ver também os locais onde as pessoas eram mortas por fuzilamento.

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Alojamento em Auschwitz I

BIKERNAU (AUSCHWITZ II)

Em 1941 as casas da vila de Brzezinka, a três quilômetros de Oswiecim foram confiscadas e demolidas para ceder espaço ao campo de Auschwitz Bikernau. Aqui o complexo é de grandes barracões de madeira – que aparentemente não protegiam nada do tempo frio. As ferramentas de exterminação em massa foram construídos aqui e a maioria das vítimas do holocausto foram mortas neste campo –  aproximadamente 90% das vítimas de Auschwitz, o que significa aproximadamente 1.1 milhão de pessoas. De cada 10 pessoas, 9 eram judeus.

Aqui dá pra sentir que o lugar é uma amostra grátis do inferno – condições precárias para viver e um campo de extermínio. O galpão dos “banheiros” por exemplo – umas bancadas também de madeira –  foi muito marcante para mim por causa de uma história que a guia contou: o trabalho de limpeza do tal banheiro era muito disputado pelos prisioneiros, porque os soldados nazistas sentiam repulsa do cheiro deles e mantinham distância.

Também vemos desenhos que crianças fizeram em suas camas. Uma tristeza só de imaginar uma criança em um lugar desses. A guia disse que a maioria das crianças que havia no campo eram filhos de poloneses. Os filhos dos judeus geralmente acabavam mortos.

O pior lugar para visitar em todo o museu com certeza é câmara de gás. Apesar de ser um lugar vazio, só de pisar você já sente um clima muito, muito pesado mesmo. Parece que o cheiro da morte ainda está impregnado nas paredes. Não dá para descrever em palavras. E o mais triste: na área externa existe um lago onde as cinzas das pessoas eram jogadas.

Todo esse terror teve um fim em 1945. Enquanto os prisioneiros eram evacuados, a SS tentou remover as evidências dos crimes cometidos nos campos. Eles destruíram alguns documentos, explodiram crematórios e barracões. O museu também mostra que eles tentaram sempre manter os registros no menor número possível e falsificaram documentos a fim de posteriormente negar os crimes ou minimizá-los. Um absurdo sem igual.

PORQUE VISITAR AUSCHWITZ

A visitação teve um grande impacto em mim por eu ser uma Testemunha de Jeová. Pensei que se eu tivesse nascido na Europa naquela época, eu poderia estar em Auschwitz ou em qualquer outro campo de concentração. Sinceramente, visitar uma vez só já basta. Não pretendo visitar nenhum outro campo novamente.

Mas também podemos pensar pelo outro lado: se um campo de concentração é símbolo do sofrimento, do holocausto e do genocídio, também é símbolo da resiliência humana. Ali temos a certeza de que  é possível sobreviver à mais terrível das condições. Que é possível manter a integridade apesar de maus tratos e ameaças. E que apesar das tentativas, uma pessoa tão má quanto Hitler não conseguiu exterminar os povos que ele considerou “inferiores”.

Uma frase estampada em Auschwitz diz: “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. É uma citação do filósofo George Santayana que justifica a existência desse lugar tão sombrio, onde ocorreram tantas atrocidades contra seres humanos. Se a lição foi aprendida pela humanidade, precisaremos continuar a viver a história para confirmar. Se não foi, tenho certeza de que continuaremos a exercer a resiliência para sobreviver.

Shanghai

Shanghai (palavra que signfica “Cidade no Mar”) começou sua história com uma pequena vila de pescadores. Devido sua posição geográfica no Delta do Rio Yangzi, foi se tornando uma potência devido ao porto onde muitos tipos de produto eram comercializados, incluindo o ópio, que levou a uma guerra. Após essa guerra, os britânicos fizeram um acordo que levaram a cidade a abrir as portas para estrangeiros.

Com influências de colônias britânicas, francesas e americanas na cultura, arquitetura e na sociedade em geral, hoje Shanghai é a maior cidade da China. Possui a quarta maior área metropolitana do mundo, ficando atrás apenas de Tóquio, Jacarta e Cairo. Extremamente cosmopolita, é o centro econômico e cultural do país.

Eu particularmente encontrei diversas semelhanças entre Shanghai e Nova York: muitas luzes e diversos arranha-céus na margem oposta do Rio Huangpu, um touro de bronze igual ao de Wall Street, muitas grifes e restaurantes diferenciados.

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A vibrante cidade de Shanghai

DE GUILIN A SHANGHAI

Foram aproximadamente 2h30 de voo na Shanghai Airlines entre Guilin e Shanghai. Como disse no post de Guilin, nosso voo atrasou muitas horas por causa do tempo que estava ruim, e acabamos perdendo um dia inteiro em Shanghai. Mas em questão de chegar na cidade mais importante da China, há diversas opções de trem e avião. O transporte na cidade é simples também pois há linhas de metrô com estações sempre próximas aos pontos turísticos.

O HOSTEL

Os hostels em Shanghai tem um preço mais alto que as outras cidades que passamos. Ficamos no Mingtown People’s Square Youth Hostel. O quarto do hostel não tem nada especial – acho que poderia ser mais limpo até. As vantagens: boa estrutura e restaurante com excelente café da manhã e localização: fica a três quarteirões da estação Dashijie do metrô e é possível caminhar do hostel para algumas das principais atrações da cidade, das quais vamos falar agora!

THE BUND

A palavra Bund significa cais aterrado segundo a Wiki. Muitos acreditam que a área é um museu a céu aberto, pois há construções de diversos estilos em seu entorno. À beira do Rio Huangpu e com vista para a área de Pudong, é o cartão postal de Shanghai. Aqui é possível procurar também passeios como cruzeiros no Rio Huangpu.

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Mapa do Bund – Site: China Highlights

É andando no Bund que você vai encontrar o touro de bronze igual ao de Wall Street 🙂

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YU YUAN GARDEN

Yuyu Garden significa Jardim da Felicidade. Foi construído durante a dinastia Ming, há mais de 400 anos. São 20 mil metros quadrados para explorar, onde você pode conhecer os jardins, a arquitetura chinesa, e obras de arte como esculturas. Há uma área comercial bem forte ao redor do parque, onde você encontra roupas e souvenirs a um preço bem acessível.

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NANJING ROAD

Uma rua para pedestre como se fosse a 5a Avenida de Shanghai. É um lugar bem movimentado cheio de luzes, restaurantes, lojas e, como sempre, você provavelmente vai ver as senhorinhas chinesas dançando em seus passos sincronizados. Do hostel era possível ir andando até esta rua.

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ZHUJIAJIAO

Em Shanghai há diversas cidades antigas que foram construídas à beira da água. É o caso de Zhujiajiao. Você pode chegar lá à pé ou com barco. As ruas são bem apertadas e cheias de gente querendo conhecer as lojas, provar comidas exóticas e conhecer um pouco da cultura local. Uma coisa que eu amei aqui em Zhujiajiao é que tem uma rua específica onde você pode se vestir com roupas tradicionais chinesas e fazer um ensaio fotográfico. A produção não é cobrada, apenas as fotos que você quiser levar: cada uma por ¥10.

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Outras cidades do mesmo estilo que você pode visitar são: Qibao, Luzhi, Zhouzhuang, Xitang, Tongli, Nanxun, Wuzhen e Suzhou. Veja mais aqui no China Highlights.

Há muitas outras atrações em Shanghai: museus, shows tradicionais, circos, restaurante no topo da torre da Pearl TV com vista panorâmica e até um passeio na Disney deles. Aqui também é o melhor lugar para fazer compras: se informe no hostel onde as coisas são mais baratas. Fomos em um lugar que eu esqueci o nome, mas meus amigos compraram drones por ¥120.

Nossa viagem na China se encerrou aqui em Shanghai. Certamente essa foi a viagem mais memorável que eu fiz. Conheci de perto uma cultura milenar, vi lugares magníficos tanto em questões de construções como de natureza, aprendi a tomar chá e a simpatia dos locais me fez mudar alguns preconceitos que eu tinha com o povo em geral. Eu voltaria para a China novamente para conhecer tantos outros lugares maravilhosos que eles tem e com a mente aberta que não preciso me preocupar tanto com a língua pois a gente sempre dá um jeito de se comunicar. E é por isso, meus amigos, que eu reforço: é melhor a experiência do que coisas materiais pois ninguém pode tirar de você o que você viveu.

Guilin

Cenário do filme “O Despertar de uma Paixão”, a cidade de Guilin é um dos destinos mais visitados da China por suas belas paisagens. O clima subtropical favorece a visitação por todo o ano, porém eles mesmos recomendam o período de abril a outubro como o ideal. Foi a cidade mais quente que passamos na China e como o clima é muito úmido, pode cansar mais nas caminhadas ao decorrer do dia.

Aqui as recomendações eram sempre de “cuidado com os trapaceiros”. Aparentemente são aplicados os mais diversos golpes a quem visita a cidade, que basicamente vive de turismo. Com isso em mente, vamos ao que interessa.

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Guilin à noite – Foto de Márcio Rocha

DE ZHANGJIAJIE A GUILIN

Pegamos um trem de Zhangjiajie a Changsha que custou ¥169 e durou 5h de viagem. Em Changsha pegamos outro trem à Guilin, que custou ¥443 e durou 3h de viagem. Este trem é mais caro pois é do tipo de alta velocidade.

O HOSTEL

O Green Forest Hostel não é distante da estação de trem de Guilin e é em um centro comercial. Na região há diversos restaurantes, lojas e bares. Tudo fácil acesso. Há quartos com ar condicionado, um item importante considerando o clima quente e úmido de Guilin. Não está incluso na diária é oferecido um excelente café da manhã. Eles agendam passeios para praticamente todas as atrações da cidade.

MONTE DA TROMBA DE ELEFANTE

Bem próximo ao hostel fica uma dos lugares mais visitados de Guilin: o monte da tromba de elefante (Elephant Trunk Hill). Possui este nome pelo formato da monte e da pedra. É necessário pagar um valor para entrar, mas esqueci quanto era. Na área externa, há um parque onde podemos observar chineses praticando o Tai Chi Chuan e também algumas senhoras chinesas dançando músicas populares. Elas são muito mais sincronizadas do que eu e minhas amigas jogando Just Dance, dá gosto de ver!

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Monte da Tromba de Elefante – Foto: China Tour Guide

CAVERNA DA FLAUTA DE BAMBU

A caverna da flauta de bambu (Reed Flute Cave) não é muito grande, e a beleza dela é o jogo de luzes coloridas que eles colocam nas estalagmites e estalactites. Durante a visita, que é guiada, é projetado um filme no teto contando sobre uma antiga lenda chinesa. Também há um número de um casal de bailarinos.

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CRUZEIRO NO RIO LI

Esta é a principal atração de Guilin: um cruzeiro no Rio Li. São pequenas embarcações que navegam por parte do Rio Li, passando por uma paisagem pitoresca. Aqui é um lugar tão famoso na China que diversos casais viajam até lá para fazer ensaios fotográficos de casamento.

Durante a visita, é mostrado um antigo método de pesca na China, que segundo o guia está acabando porque muitas famílias estão se mudando do campo para as grandes cidades à procura de trabalho. No processo, uma ave chamada “Cormorant” que segundo o Google,  é Cormorão em português, mergulha no Rio e pega o peixe. Depois o pescador retira o peixe da ave, pois eles colocam um anel no pescoço delas para evitar que engulam. Achei um pouco ruim ver o animal preso no barco e com o anel no pescoço, mas eles juram que o pássaro é recompensado depois. Bem, quem sou eu para me intrometer em uma tradição milenar chinesa?

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Existe uma pequena área comercial próximo ao local onde as embarcações para o cruzeiro ficam. Ali, você pode comprar comida pronta, frutas, artesanato. Quando fomos o único banheiro público que tinha era horroroso. Não havia portas, o chão parecia que alguém tinha feito cocô e espalhado por todo o chão, sem papel, sem nada. Por isso, caso esteja assim ainda, evite tomar muito líquido para aguentar até voltar para a cidade. Ou faça no meio do mato que é melhor.

TERRAÇOS DE ARROZ

As vilas de Longsheng possuem diversas etnias que por gerações cultivam um dos produtos mais consumidos na China, o arroz. A gente só passou por alguns terraços de arroz, mas não fez nenhuma visita guiada. Há pessoas que decidem ficar hospedadas na área das vilas pois além da maravilhosa paisagem, cada etnia possui dialetos e tradições diferentes, incluindo vestimentas, comidas e festivais. Caso sua opção seja essa, lembre-se que devido ao clima chuvas fortes podem ocorrer e a energia elétrica pode ser interrompida.

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Terraços de Arroz em Longsheng – Foto de China Tour Guide

A passagem pela simpática Guilin foi muito boa. Para quem deseja conhecer a vida rural na China, Guilin é o local ideal. Infelizmente quando estávamos indo embora o tempo ficou ruim e acabou atrasando por muitas horas nosso voo para o último destino do mochilão na China: Shangai, história do próximo post. Até lá!

Zhangjiajie

Ah, Zhangjiajie! A cidade pela qual me apaixonei à primeira vista, por fotos, e que não me decepcionou. Para encaixar esta cidade no roteiro, deu um pouco de trabalho: o acesso a ela não é tão simples. Ainda bem que não desistimos. Aliás, por aqui é muito difícil ver um viajante ocidental – a maioria dos visitantes são chineses e outros orientais. Acabou que também viramos atração turística para eles. Recebi muitas perguntas sobre o local no Trip Advisor, então vamos aos detalhes de como chegar lá e do que fazer.

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Pegamos um voo de 1h30 de Xian a Changsha. Passamos a noite em um hostel e no outro dia pegamos o primeiro trem de Changsha a Zhangjiajie. Este trajeto levou aproximadamente 5h. Valor: ¥85.

Mesmo sendo uma cidade com muito verde e muita floresta, a estrutura de Zhangjiajie é excelente. No centro há diversos restaurantes (tem até Mc Donald’s pra quem estiver cansado de macarrão e doces de feijão). O transporte público é bom e barato, só tem um problema: os ônibus param de circular aproximadamente às 20h. Se passar deste horário, procure um táxi!

O HOSTEL

Nós ficamos no Tu Niu Hostel(Biao Zhi Men) – não encontrei o link do hostel – que fica bem próximo ao Zhangjiajie National Forest Park.

Atenção: A distância entre o Zhangjiajie National Forest Park e a Tianmen Mountain é bem grande. Antes de escolher um hostel/hotel, leve em consideração o que você quer fazer na cidade, para evitar deslocamentos desnecessários. A Tianmen Mountain fica bem ao lado da estação de trem, no centro da cidade.

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Deixe seu recadinho no hostel!

Nas proximidades do hostel e do National Forest Park, há diversos hotéis, alguns mini mercados e uma rua pequena com diversos restaurantes. Porém devo lembrar aqui que estamos ao lado da FLORESTA e aí sim pela primeira vez vimos que os cardápios dos restaurantes eram bem estranhos. Você vê bichos de todos os tipos presos em gaiolas, prontos para o abate: de galinhas a tartarugas, de tatus a porquinhos da índia, cobras, morcegos. Havia uma iguaria que não sabemos (e nunca saberemos) do que era feita, mas o cheiro era extremamente nauseante. Para quem não está tão interessado neste tipo de culinária exótica, faça como nós que sobrevivemos à base de biscoitos, miojos e chocolates comprados nos mini mercados.

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Eu não como isso nem que me paguem

Vamos às atrações!

TIANMEN MOUNTAIN

Tianmen Mountain singnifica “Montanha da Porta do Céu”. Este parque tem inúmeras atrações. Você precisa de pelo menos um dia inteiro para visitar. E aqui vai um aviso importante: chegue o mais cedo possível. As filas são enormes. Esperamos por aproximadamente 3h na fila para conseguir entrar no bondinho.

O bondinho que sobe a Tianmen Mountain percorre 7km em aproximadamente 30 minutos. É o trajeto mais longo do mundo inteiro. Mas por mim, poderia levar bem mais que 30 minutos, porque a vista é simplesmente incrível.

Ao descer do bondinho, já é possível fazer as caminhadas à beira do penhasco, passar pela passarela de vidro e depois percorrer as 99 curvas da estrada que leva à Tianmen Mountain. Claro que falando aqui parece fácil, mas você vai levar muito tempo para fazer tudo isso. Quem tem medo de altura ou fica enjoado ao viajar de carro, prepare o coração e o estômago. Ao chegar no local, que é de tirar o fôlego de tão lindo que é, ainda há mais 999 degraus até a entrada da Tianmen Mountain. Pode subir ouvindo Stairway to Heaven que combina bem com a caminhada.

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Stairway to Heaven

Além disso, é aqui na Tianmen Mountain que tem uma passarela de vidro. Essa passarela acredito ter sido a primeira ou uma das primeiras da cidade e é pequena mas te garanto que foi uma das coisas mais cômicas que já vi na minha vida! Muitas pessoas tem medo e fazem de tudo para andar na beirada da montanha, onde não há vidro. Tem gente que grita e segura em qualquer um que estiver passando, enquanto outros fazem as poses mais inusitadas para tirar fotos. Diversão garantida!

No parque não há muitas informações em inglês, então não esqueça de pegar um mapa ao comprar o ingresso. Pelo menos você pode apontar para algum funcionário te dar as direções.

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ZHANGJIAJIE NATIONAL FOREST PARK

O preço da entrada varia de acordo com a temporada. Na alta temporada, o valor era bem alto e como a gente já estava um pouco pobre, foi decidido não visitar o parque. Se arrependimento mata, eu queria estar morta. Cada vez que eu vejo uma foto do Heavenly Pillar, que serviu de inspiração para as Hallelujah Mountains do filme Avatar, dá vontade de pegar meu DeLorean e voltar no tempo só pra poder ir nesse parque.

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Halellujah Mountains – Foto de YourAmazingPlaces.com

O parque faz parte da área cênica de Wulingyuan. Para explorar a essência do parque, dois dias são recomendados – com roupas e calçados confortáveis para caminhadas e subidas em pedras. Esse é o principal motivo do preço de entrada ser tão caro: como o parque é imenso, o ingresso é válido para 4 dias corridos a partir do momento da compra.

Nós fomos à Zhangjiajie em 2015, mas em 2016 abriu neste parque a maior ponte de vidro da China. Ela foi projetada por um arquiteto israelense e conecta duas montanhas chamadas de “Montanhas de Avatar” com 99 blocos de vidro. São 430m de comprimento a 300m de altura. Se na pequena passarela na Tianmen Mountain as pessoas já estavam morrendo de medo, imagina nessa?

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Ponte de Vidro – Foto: HypeBeast

Não é recomendado visitar o parque durante o inverno. Tudo fica escorregadio e se começar a nevar muito forte, o parque é fechado. Procure visitar no outono ou na primavera.

BAOFENG LAKE

O Lago Baofeng (Baofeng significa “Pico do Tesouro”) também faz parte da área cênica de Wulingyuan. Significa sim que é próximo ao National Forest Park e do hostel que ficamos. Até pegamos um táxi para chegar lá, mas deu menos que ¥10.

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Baofeng Lake

Não há apenas o lago: há quedas d’água, algumas trilhas, templos no meio da floresta. O que me consolou neste lugar é que ao chegar com muito esforço no final de uma trilha, eu pude ver uma amostra do que seriam as montanhas que eu teria visto no National Forest Park. A trilha tem um pouco de subida, então prepare suas pernas e pulmões.

O ingresso ao parque que custou ¥96 inclui um passeio em um barco típico chinês pelas águas do lago. Durante o percurso, é possível ver algumas casinhas de madeira de onde saem chineses em trajes típicos, cantando canções tradicionais da vila local. A paisagem me lembrou muito as fotos do lago Ba Be no Vietnam, outro lugar que gostaria muito de conhecer, só que em escala menor.

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POR QUE VISITAR ZHANGJIAJIE?

Visitar Zhangjiajie significa conhecer uma natureza exuberante e diferente de tudo o que você já viu. Além disso, depois de tanta poluição nas cidades anteriores, nada como um ar menos poluído! É um pouco difícil o acesso mas com um bom planejamento, é possível chegar e explorar a cidade sem a necessidade de pagar os guias, que cobram uma fortuna. Mas as montanhas, lagos, atrações e até a hospitalidade dos chineses fazem todo seu esforço em chegar lá valer cada centavo. Se você já visitou Zhangjiajie, não esqueça de deixar mais dicas nos comentários!

Próxima parada: Guilin