Aprenda Com os Perrengues de Viagem

Uma amiga compartilhou esta semana uma lista do BuzzFeed sobre “17 realidades sobre viajar pelo mundo sem ser milionário“. Sério, nunca vi uma lista tão verdadeira. O lado bom disso é que as melhores histórias de viagem saem justamente das coisas listadas. Viajar não é apenas ver lugares bonitos. É também lidar com situações novas ou inesperadas. Pode ser algo engraçado. Pode ser um conflito. Talvez algo irritante. E claro, não podemos descartar a hipótese de situações sérias ocorrerem. Porém isso tudo faz parte do amadurecimento que vem quando saímos de nossa zona de conforto para enfrentar o desconhecido.

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Sim, é preciso ter coragem na vida para enfrentar o desconhecido. Mas o modo como reagimos aos famosos perrengues pode revelar muito a respeito de nós mesmos. Seja sozinhos ou com amigos, como reagiríamos diante de situações estressantes? Perderíamos o controle porque as coisas não saíram como o planejado, agindo como pessoas mimadas, desesperadas e a ponto de desistir? Ou tentaríamos lidar com a situação procurando uma solução racional ou até esperando com paciência? Vou explorar um pouco a idéia dos itens mencionados na lista do BuzzFeed.

Itens 5 e 6: Hostels que são uma furada – alguns hostels podem por à prova a resiliência humana, até porque você está ali para dividir o quarto com amigos e/ou desconhecidos. Em Berlim, o hostel que fiquei era em um prédio muito antigo. O elevador parecia de filme de terror – nem entrei porque fiquei com medo de ele parar comigo dentro. Eu subi todas as escadas com a mochila de viagem nas costas. Cada degrau que eu pisava me dava a impressão que o chão cederia a qualquer momento. Os quartos tinham janelas enormes, sem cortinas. Em Viena, o hostel era muito bem localizado, limpo e bonito mas parecia mal assombrado. Na China teve hostel que o quarto era completamente coberto de poeira e quando pedimos um aspirador emprestado para passar no carpete, veio uma senhora chinesa com uma vassoura feita de folhas. E teve hostel que a privada era um buraco no chão.

O que aprendi: a conviver com outras pessoas, saber ceder, respeitar e dividir o espaço, enfrentar os medos, sobreviver na poeira, ser a rainha do agachamento nos banheiros chineses.

Item 8: Alimentação – o fast food que a gente come é compensado pelas horas e horas de caminhada. Comer algo típico da cultura local é muito importante sim mas só se custar menos de 5 euros a refeição completa. Foi legal comer o Goulash e o Ćevapčići de 2 euros, mas não foi legal tomar o Nai Lao de Pequim porque deu a maior diarréia.

O que eu aprendi: o que não mata me fortalece (só me deixa fraca por um dia)

Item 13: Companhias Aéreas Low Cost – No meu primeiro mochilão, eu havia comprado várias passagens pela EasyJet. Quem não gostaria de voar pagando 20 ou 30 euros? Mas teve muito atraso, teve desembarque alguns minutos antes da decolagem devido à “falha na aeronave” e teve muitas, mas muitas trocas de portão de embarque.

O que eu aprendi: a adaptar planos, exercer a paciência, prestar muita atenção nos anúncios que são dados no aeroporto e aproveitar o tempo parado para falar com as pessoas em vez de ficar me estressando pelo atraso.

Item 16: O Glamour da Viagem – Um dos itens mais importantes da lista. Quando você escolhe investir seu dinheiro em viagem, é muito comum que seus conhecidos falem “ai tá podendo, hein?”. Filhão, você não viu quantas vezes eu deixei de fazer aquela viagem curta no feriado, abri mão de comprar alguma coisa (tipo a cortina do meu quarto), ou mesmo de ir naquele barzinho com os amigos no final de semana pra guardar o dinheiro e fazer a viagem. E as economias continuam mesmo na viagem. Já mencionamos a economia nos hostels e na alimentação, mas tem muito mais.

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Dormir do lado de fora do aeroporto é puro glamour mesmo

Por exemplo, quando você escolhe o Item 15 e faz longas viagens de ônibus à noite em vez de trem por causa do preço, mas o ônibus não aparece e você é obrigado a passar a noite do lado de fora da rodoviária em Budapeste no frio esperando a viação que não tem nenhum atendente que fala inglês pra resolver o seu problema. E quando o motorista do ônibus noturno Sarajevo-Ljubljana vai ouvindo música brega a noite inteira? Talvez você queira dormir no aeroporto em Lanzhou para economizar uma diária de hostel mas só depois descobre que o aeroporto fecha à noite e faz -5°C do lado de fora. Ou quando o aeroporto fica aberto lá em Lisboa mas vem o inconveniente Felismino querer puxar conversa com você e te levar para um passeio de moto?

O que aprendi: O Guia do Mochileiro das Galáxias tem razão. Don’t Panic, sempre leve uma toalha que pode servir como travesseiro, tapa olhos/ouvidos e coberta. Também é bom deixar uma blusa extra para caso de frio do lado de fora da rodoviária/aeroporto.

Item 17: VALEU DEMAIS – Claro que vale a pena economizar e passar perrengue para conhecer novos lugares, novas pessoas, novas culturas.

Além dos lugares lindos o que valeu, valeeeeu – demaaais (eu sei que você vai ficar com esse pagode na cabeça a tarde toda agora) :

  • Aprender a se achar em qualquer lugar sem o Google Maps.
  • Desenhar o bondinho passando entre duas montanhas para confirmar com o motorista da van em Zakopane que é pra lá que você quer ir;
  • Que imprevistos acontecem e que você pode ir para a estação antiga da cidade em vez da nova como em Zhangye;
  • A não passar tanto tempo no Burger King do aeroporto de Pequim quando você ainda não passou pelo controle de passaporte/revista para voltar para casa e correr muito para não perder o voo.
  • A sempre conferir se aquela garrafa de água é realmente sem gás.
  • Fazer traduções livres do que as outras pessoas estariam falando em chinês com seus amigos.
  • Aprender que nem sempre vou encontrar algum lugar com Wi-Fi grátis e que é melhor habilitar o roaming internacional para mandar um SMS pra família não achar que eu morri no caminho à Cracóvia;
  • Tomar cuidado com as ciganas de Barcelona;
  • Enfrentar muita chuva, muito calor, muito frio, muita neblina para conhecer lugares que provavelmente eu não conseguiria visitar depois;
  • A sobreviver no meio dos croatas que parecem que não sabem o que é desodorante;
  • A não perder o controle com aquela atendente do posto turístico de Munique que praticamente se recusou em me ajudar a entender a orientação de viagem à Füssen que estava toda em alemão.

Nem só de perrengues as viagens são feitas, mas também das pessoas legais que passam pelo seu caminho. Aquela menina que ia pelo mesmo caminho que você em Postojna e que você acabou perguntando se ela estava indo visitar as cavernas. Vocês decidem seguir juntas. O guarda de Washington D.C. que te parou não porque achava que você tinha dorgas, mas por curiosidade pra saber de onde você veio porque te achou muito bonita (hahaha), o garçom de Ljubljana que ficou tão admirado de você ter ido sozinha do Brasil pra lá que te deu uma coca-cola grátis. O vendedor da lojinha de Budapeste que sabia que você veio do Brasil por causa da simpatia. O taxista doido de Lisboa que queria falar de todos os parentes brasileiros que ele tem. A generosidade dos Bósnios. O entusiasmo dos chineses em ver um ocidental. O garçom do restaurante de Veneza que estava doido para bailar. O garçom uruguaio que disse torcer pelo Santa Cruz. O moço que valida as passagens de trem de Munique que me ajudou em detalhes a saber como chegar até Füssen.

Viaje sempre atento mas sem medo paralisante do desconhecido. Aprenda com as coisas boas e amadureça com os imprevistos. Deixe os perrengues fazerem parte da sua história. Sair da zona de conforto pode ser uma grata surpresa.

Culinária Internacional em São Paulo

Do fufu nigeriano ao poutine canadense; do bibimbap coreano às burekas do Leste Europeu. Talvez você queira um kebab de cordeiro à moda turca ou um completo smörgåsbord sueco. E tapas espanhóis? Pode ser um delicioso naan assado em um tradicional forno de barro indiano. Saltenhas bolivianas, pizzas gregas ou um eisbein grelhadinho?

Graças aos diversos imigrantes que são parte de nossa cidade, aqui em São Paulo encontramos uma imensa diversidade culinária.

Se você tem curiosidade de experimentar algo diferente, mas nem imaginava a variedade que temos aqui, montei uma lista com restaurantes que oferecem sabores do mundo afora. Pode dar um Ctrl+f e digitar o nome do país que você procura e clicar no nome do restaurante para ser direcionado ao site oficial ou página do Facebook. São quase 50 países diferentes. Não incluí restaurantes italianos ou japoneses porque já são muito comuns e conhecidos.

ALEMANHA    Zur Alten Mühle    Zur Laterne    Schnapshaus    Konstanz

ARGENTINA   Parilla Argentina    Martín Fierro

ARMÊNIA        Yeran    Esfiharia Effendi

AUSTRÁLIA      Aus Burger     Up Food Truck

ÁUSTRIA          Caverna Bugre

BÉLGICA          Chez Vous    Delirium Café

BOLÍVIA           Rincon La Llajta

BÓSNIA E HERZEGOVINA          Tchevap

BULGÁRIA       Casa Búlgara

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Bureka de Queijo Búlgaro – Foto: Casa Búlgara/Facebook

CAMARÕES     Biyou’Z   – também há pratos de Senegal, Angola, Congo, Nigéria e Tanzânia

CANADÁ          Canuck’s Poutinerie

CHILE               El Guatón

CHINA              Chi Fu

COLÔMBIA     Sabores de Mi Tierra

CONGO             Congolinária

CORÉIA           Dare     BiCol    Seok Joung    K’Pop Chicken     Bomjur

CUBA               Havana Punto

EGITO              Khan El Khalili

ESPANHA      Don Curro   Almodóvar    La Alambra    Exquisito    Sancho

EUA                 Wendy’s (coloquei aqui só porque é “novidade” em SP)

FRANÇA        Allez, Allez    Le Jazz Brasserie    L’Entrecôte de Paris

GRÉCIA         Acrópoles    Gioconda Heleniká Pizza Grega    Myk

HAVAÍ           Pokee

HUNGRIA     Mignon Chárika     Doceria Húngara

ÍNDIA            Tandoor     Bawarchi    Gopala Hari

INGLATERRA   Camdem House

* Não me lembro o nome do restaurante, mas na esquina das ruas Souza Lima x Vitorino Carmilo, na Barra Funda, o inglês sr. Stephane tem um pequeno restaurante/rotisserie. Há diversos tipos de comida, mas ele vende algumas tortas e bolos que são típicos da Inglaterra.

IRà                Amigo do Rei

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Kuku-e Shebet va Bagali, feito de favas verdes e endro. Foto: Amigo do Rei/Facebook

IRLANDA     O’Malley’s     All Black Irish Pub

ISRAEL         Adi Shoshi Delishop     Nur

LÍBANO        Halim     Saj     Casa Lins

LITUÂNIA   Delícias Mil Rotisserie

MARROCOS   Tanger     Banarabi

MÉXICO       Mexicaníssimo     Yucatán

NOVA ZELÂNDIA     Kia Ora

PERU            Riconcito Peruano    La Mar Cebicheria Peruana    Killa Culinária Andina

PALESTINA  Al Janaiah

POLÔNIA    Maria Escaleira 

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Foto: Maria Escaleira/Facebook

PORTUGAL  Ora Pois     Casa Portuguesa     Tasca da Esquina     Casa Mathilde

SÍRIA            Talal Culinária Síria     Ogarett

SUÉCIA        Svanen – fica em uma Associação Escandinava: culinária também da Finlândia, Noruega, Dinamarca e Islândia 

SUÍÇA          Florina

TAILÂNDIA     Namga     Tian

TURQUIA    Kebab Salonu     Firin Salonu     Lahmajun

URUGUAI   El Tranvía

VIETNà      Pho 366    Miss Saigon

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Chả giò – Foto Miss Saigon/Facebook

==== PARA ENCOMENDAS ====

RÚSSIA       Nostrôvia         

VENEZUELA   Don Arepa

==== FEIRAS ====

Feira do Leste Europeu – Realizada uma vez por mês na Vila Zelina, concentração de imigrantes da região. Tem artesanato e gastronomia da Bulgária, Croácia, Eslováquia, Hungria, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Rússia e Ucrânia.

Feira Kankuta – Festival de cultura boliviana com dança, artesanato e comida. Realizada todos os domingos.

Festival Árabe do Brás – Realizado todos os finais de semana, a feira tem como intuito promover a cultura árabe e ceder espaço para que refugiados possam vender arte e comida. O site oficial está com problemas e não consegui mais informações atualizadas sobre a feira.

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