Pequim

Pequim é uma cidade magnífica onde o milenar se mistura harmoniosamente com o moderno. O nome Pequim significa “Capital do Norte”. Há indícios que o local havia sido ocupado em 1045 AC. Muitas dinastias ocuparam a cidade até que em 1215 o exército do líder mongol Genghis Khan conquistou a região e construiu o que seria a capital de um império. Essa conquista foi um divisor de águas para a cidade que mais tarde se tornaria Pequim, pois foi a partir daí que ela foi se transformando em um polo cultural e político.

Outra dinastia que teve muita influência no desenvolvimento da cidade foi a dinastia Ming. Grandes construções como a Cidade Proibida e parte do Templo do Céu foram elaboradas durante o reinado desta família.

Depois de ser uma influente cidade de um império, diversas outras batalhas ocorreram nos séculos que se seguiram. E até em um passado não muito distante Pequim continuou sendo palco de muita história: acho que todos se lembram da foto “O Rebelde Desconhecido”  – um homem sozinho, parado em frente à tanques de guerra em plena Praça da Paz Celestial no ano de 1989 onde as pessoas faziam um protesto contra o Partido Comunista.

Hoje, só em Pequim existem sete locais que levam o selo de Patrimônio Mundial da UNESCO:

  • A Cidade Proibida;
  • O Templo do Céu;
  • Os túmulos imperiais das dinastias Ming e Qing;
  • A aldeia de Zhoukoudian;
  • O Palácio de Verão;
  • O Grande Canal;
  • A Grande Muralha da China.

São todos lugares incríveis sim. Mas o que sempre me motivou para fazer uma visita à Pequim foi a possibilidade de visitar a Grande Muralha. Sempre que eu assistia um documentário sobre o assunto, ficava impressionada com um trabalho tão bonito e grandioso. Mas chega de história e vamos ao que interessa! Nesse post, vou contar um pouco de como foi a visita a esta cidade cheia de encantos.

De São Paulo a Pequim

Voamos de São Paulo a Pequim pela Air China. Levamos praticamente um dia inteiro de viagem, com uma pequena escala em Madrid. A Air China não é tão diferente das demais companhias aéreas. Há uma boa variedade de músicas, filmes e séries para você se entreter durante a longa viagem (as legendas podem ser em chinês, inglês e francês). O atendimento foi muito bom e a comida é bem servida. Aí você já pode ir se acostumando com o que vem pela frente na China: muito macarrão, arroz e frango.

O aeroporto de Pequim é bem grande e moderno. A imigração foi simples e rápida, sem perguntas. Apenas uma pequena conferência cara-crachá e o carimbo fácil e rápido.

Para sair do aeroporto até a cidade, você tem duas opções: táxi e o trem que faz conexão com o metrô de Pequim – extenso e bem eficiente. Nós preferimos a segunda opção porque o taxista queria ¥600 para nos levar até o hostel. As informações na Wikitravel diziam que o valor do aeroporto a cidade varia entre ¥70-¥120. Então fique atento, porque eles querem fazer preços fechados exorbitantes para arrancar dinheiro dos turistas.

O serviço de trem Airport Express passa pelos terminais do aeroporto e depois vai para a cidade. O bilhete custa ¥25 e leva no máximo meia hora até fazer a conexão com o metrô. Você pode descer na estação Dongzhimen (linhas 2 e 13)  e Sanyuanquiao (linha 10). Ao pegar o metrô, você precisa saber exatamente a estação que vai descer, pois o valor da passagem é baseada na distância percorrida. Fique atento também ao horário. Na China, o metrô para de prestar serviço bem mais cedo que aqui, e pode ser que um pouco antes das 23h você já não vai conseguir utilizar o serviço.

O Hostel

O Templeside Deluxe Hutong House tem todo um cuidado com a decoração para fazer você se sentir numa China bem tradicional. E por ser em um Hutong, você pode vivenciar uma cultura que está morrendo em Pequim. A grosso modo, hutongs são pequenos bairros com ruas emaranhadas bem estreitas que possuem um modo de vida próprio. Em uma pequena entrada ou rua, um mundo de casas e vielas é aberto diante dos nossos olhos. Eu comentei que isto está morrendo, pois o progresso da cidade faz com que os hutongs sejam demolidos para dar lugar a novas construções, avenidas, e estações de metrô.

O hostel

O hostel fica a uns 10 minutos a pé de uma estação de metrô e na avenida há algumas opções com padaria, restaurantes, mercados de frutas e lojinhas. O recepcionista foi bem legal com a gente, sempre dando dicas e ajudou bastante na hora de agendar o passeio para as muralhas pelo telefone. O preço do hostel nas grandes cidades como Pequim são um pouco mais caros do que o comum.

O QUE FAZER
Praça da Paz Celestial

A Praça da Paz Celestial (Tian’anmen Square) fica bem em frente à entrada da Cidade Proibida. Como a saída da Cidade Proibida fica aos fundos, um pouco distante da entrada, talvez seja mais prático dar uma passadinha na praça antes. Nela podemos encontrar monumentos aos heróis da revolução, o Grande Salão do Povo, o Museu Nacional da China e um memorial à Mao Zedong, que proclamou a república naquele local em 01/10/1949.

É bem fácil chegar à Praça da Paz Celestial e à Cidade Proibida de metrô. Basta descer na estação Tian’anmen East ou Tian’anmen West e seguir o fluxo.

Cidade Proibida

Nossa primeira parada foi a Cidade Proibida, que é um complexo palaciano (o maior do mundo!) onde 24 Imperadores das dinastias Ming e Qing reinaram durante alguns séculos (entre os anos de 1644–1911). Leva esse nome pois  era totalmente proibida a entrada de pessoas consideradas comuns, já que o imperador era considerado filho do céu e acreditava-se que o poder de Deus estava sobre ele. Eles também acreditam que o Palácio é uma réplica da morada de Deus nos céus e deveria haver 1.000 cômodos no complexo porém, como não se podia atingir a perfeição dos deuses, eles deveriam construir 9.999 cômodos e meio. Na verdade, existem pouco mais de 8.700 cômodos (coisa pra caramba!).

Entrada da Cidade Proibida

Sendo assim, já podemos perceber que a visitação leva horas, e olha que diversas partes não estão abertas ao público. Então prepare-se: leve sua água e alguma coisa para comer na mochila. Preste bastante atenção nas placas para respeitar a cultura local. É proibido tirar fotos dentro dos templos.

Destaques da Cidade Proibida

  • Os Três Grandes Salões: Salão da Harmonia Suprema, Salão da Harmonia Média e o Salão da Harmonia Preservada. Para saber mais sobre a função de cada uma, leia a matéria Como Tudo Funciona – Cidade Proibida.
  • Sala dos Relógios
  • Jardim Imperial
  • Palácio da Paz e Longevidade – como se fosse uma miniatura da Cidade Proibida, onde se encontra o famoso painel dos Nove Dragões e outros salões que são conhecidos como a Galeria do Tesouro.

Salão da Suprema Harmonia – O leão com a pata em cima do globo representa o poder do Imperador no mundo; a leoa com a pata em cima de um filhote representa a fertilidade do imperador (Foto de Márcio Rocha)

As gigantes cubas de cobre armazenavam água para combater incêndios (Foto de Marcio Rocha)

Como já mencionado, a entrada para a Cidade Proibida é feita apenas pelo portão principal, chamado Portão Meridiano. A saída é feita por outros três portões. Caso queira voltar em um tradicional riquixá, muito cuidado ao negociar o preço; muitos golpes são denunciados por turistas. Deixe as coisas sempre bem claras para evitar qualquer problema com o condutor.

Complexo Olímpico

Um bom passeio para fazer à noite é a visita ao complexo olímpico. Descendo na estação Olympic Park você vai se deparar com o estádio nacional conhecido como Bird’s Nest (Ninho de Pássaro), o centro aquático chamado Water Cube, a Torre de Observação e um incrível jogo de luzes para tudo quanto é lado.

Complexo Olímpico (Fotos de Márcio Rocha)

Palácio de Verão

Na minha cabeça, o Palácio de Verão era aquela construção que sempre aparece quando a gente coloca no Google Imagens. Para minha surpresa é um outro enorme complexo, construído em 1750 pelo Imperador Qianglong como um refúgio da antiga cidade imperial. Segundo o China Highlights, o Palácio de Verão tem aproximadamente 70 mil metros quadrados e contém 3.000 casas. A arquitetura de cada uma delas é muito interessante, sem contar a vista do alto e o lindo lago Kunming.

Destaques do Palácio de Verão

  • Pagode do Incenso Budista – o mais alto edifício do complexo, fica no topo da Colina da Longevidade. Era esse que eu pensava ser o palácio.
  • O Longo Corredor
  • A Rua de Suzhou – Suzhou é uma cidade construída sobre as águas e geralmente é chamada de Veneza do Oriente. A Rua de Suzhou do Palácio de Verão tem diversas lojinhas à beira do Rio.
  • Templo da Virtude Budista
  • Galeria da Benevolência e Longevidade
  • A Ponte dos Dezassete Arcos

Rua de Suzhou

Pagode do Incenso

O Longo Corredor

E no final do longo corredor encontramos todas essas cores e detalhes!

Coloque seu calçado mais confortável e novamente: não esqueça de levar em sua mochila água e algo para comer. São horas de visitação, com muitas escadas e caminhos irregulares. Para chegar lá, desça na estação Beigongmen.

O Templo do Céu

Considerado o templo imperial mais importante, o Templo do Céu foi construído em 1420 durante o reinado do Imperador Zhu Di da Dinastia Ming. Hoje está localizado em um parque que na época era o jardim real. Este parque é um ótimo lugar para observar a cultura local. Na entrada do parque, na parte da manhã, pessoas mais idosas praticam o Tai Chi e à noite, há uma dança em casal. Dentro do parque é comum ver pessoas idosas com caixas de som cantando músicas tradicionais. Ainda à noite, passando o Templo do Céu, fique para assistir os chineses empinando enormes pipas cheias de luzes (nem preciso dizer que chineses amam luzes :P) é lindíssimo!

Pipas Coloridas

Acho que nem precisa de cerol nas linhas dessas pipas

Museu da Seda

A Beijing Dong Wu Silk Museum é uma loja que vende roupa de cama, vestidos e lenços de seda e que mostra como é o processo de fabricação da seda chinesa. Caso você tenha curiosidade e interesse em comprar este tipo de produto, aqui é o lugar ideal.

Tradicionais Casas de Chá

Eu nunca gostei de chá até visitar uma Casa de Chá tradicional em Pequim. Os aromas são únicos; a habilidade das mulheres que o preparam é impressionante. Nós fizemos um tour onde este passeio estava incluso e a casa de chá chama Shen Shen Cha Yi Guan ou Shenshen Tea House. Existem várias espalhadas pela cidade. Uma bem tradicional é a Lao She Tea House, mas os preços são bem salgados. Cuidado com golpes em casas de chá. Procure perguntar no hotel ou hostel um bom lugar pra ir. O guia da Lonely Planet recomenda três lugares: Laijinyuxuan Teahouse, Tangren Teahouse e Black-tea Tea Room.

Shenshen Tea House – a tradicional maneira de fazer chá na China explicado em um inglês impecável

Torre do Tambor

Construída em 1272 por um dos Khan, a torre do tambor tinha como finalidade não só avisar as horas mas também ser um polo cultural para a cidade. É bem agradável andar nos arredores do local. Andamos por um centro comercial bem diferente até chegar lá. Depois, fomos a um lugar muito bom para passear à noite. O lago Houhai é cercado de restaurantes e bares. Foi muito legal conhecer um pouco disso. A maioria tinha música ao vivo, e os gerentes só ficam na porta convidando as pessoas para entrar. Para chegar lá, desça na estação Shichahai.

Bares às margens do Lago Houhai (Foto de Márcio Rocha)

A Grande Muralha da China

Nem vou entrar muito na história da Muralha pois ela é bem complexa. Resumindo: é um conjunto de diversos trechos de muralhas, construídos em diferentes períodos da história. Acredita-se que por volta de 650 AC começaram construções de muralhas com a intenção de defender a fronteira de territórios, só que em menor escala. Por volta de 220 AC que passaram a ter o formato que vemos hoje. A intenção era a mesa: defender os territórios.

Aqui, a parte de grande expectativa da viagem para mim. Mas vamos do começo: é possível visitar diversos trechos da Grande Muralha. É bom você pesquisar previamente qual parece ser mais interessante. Quando estávamos no Palácio de Verão, uma chinesa que é guia entregou um cartão e com ela agendamos o passeio para a seção de Mutianyu que, segundo o recepcionista do hostel, era mais bonito e mais tranquilo (menor quantidade de turistas). Este trecho foi restaurado recentemente.

Aqui está um mapa do China Highlights com os trechos que podem ser visitados. Pela legenda pode ver que há seções que recebem mais turistas, outras que não foram restauradas. Clique aqui para ver uma descrição detalhada dos 10 melhores trechos que podem ser visitados.

Trechos famosos da Grande Muralha próximas a Pequim

Ter visitado o trecho de Mutianyu foi uma grata surpresa. A muralha em meio às montanhas é espetacular. Quase caiu uma lágrima do meu olho de tão lindo que é. Talvez fosse a emoção de um sonho realizado.

Ah, essa vista! ❤

O interessante é que a subida é feita por um teleférico e para a descida você tem a opção de voltar com o teleférico ou descer de tobogã. Sim, você não entendeu errado: descer de tobogã! São quase 5 minutos de descida e olha, foi demais! Valeu cada centavo! Abaixo o vídeo da gente descendo pelo tobogã.

Falando em centavos, reserve uma boa quantia em dinheiro para visitar a muralha. Vamos às contas:

O tour foi Museu da Seda + Casa de Chá + Fábricas de Porcelanas + Grande Muralha. O preço por carro era ¥400 e cabiam umas 6 pessoas. Estávamos em 4 pessoas, então foram ¥100 para cada um. Leva o dia todo. Não se paga ingresso no Museu da Seda / Casa de Chá / Fábrica de Porcelanas (eles ficam na expectativa que você compre algum dos produtos vendidos). No fim do tour, os guias pedem uma caixinha básica.

Quem quiser contatar a Linda pra fazer os passeios, seguem os contatos dela:

Tel: 13381287819 / e-mail: linda880330@163.com

Entrada para a Grande Muralha: ¥100 + ¥50 para subir de teleférico e descer de tobogã.

Curiosidades sobre Pequim
  • Existe uma faixa que limita o lugar em que você deve esperar o metrô na plataforma.  Ouse ultrapassar o limite que o fiscal dá logo um apito no seu ouvido!
  • Há uma Iogurte bem típico em Pequim, chamado Nai Lao. Ele é feito de algum derivado de arroz, mas tem sabor de iogurte grego. Vem num tradicional pote de vidro e pode ser encontrado facilmente pela cidade. Só procure comprar os que são conservados na geladeira; alguns lugares não tem esse cuidado e podem dar bem ruim.
  • Caso você esteja planejando ir à Pequim em abril, procure qual a data que cai o feriado Qingming: ele dura 3 dias e os chineses lotam os pontos turísticos.
  • Existem diversas “padarias” mas os pães sempre são doces ou agridoces, mesmo os que vem com alguma coisa que parece frango ou porco. A melhor padaria que comemos foi da rede Maky’s. Tudo o que a gente comia lá era gostoso!
  • Em Pequim não se vê tantos ocidentais juntos como em Xian ou Xangai. Mesmo aqui as pessoas vão te parar pra pedir fotos!
  • Se você gosta de carne de porco, não deixe de provar os famosos dumplings.
  • Não deixe de se arriscar na culinária, coma coisas que você nunca vai saber o que é! XD

O post ficou bem grande, mas Pequim é bem mais que isso!

Recomendo buscar mais informações no site China Highlights e no guia da Lonely Planet (você pode comprar o capítulo de Pequim por US$4,95 ou o livro inteiro em formato digital por US$24,49).

Próxima parada: Zhangye

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