Sobre viajar…

Atualmente, quando encontro meus amigos ou parentes, a pergunta é sempre a mesma: “qual o próximo destino?” – Fico feliz que as perguntas feitas depois de algum tempo ser ver alguém tenham sido substituídas por esta, pois significa que estou realmente vivendo os meus planos e não a expectativa de outras pessoas.

Desde criança eu gosto de viajar. Meus pais sempre me levavam para algum lugar na praia ou no interior. Aos 14 anos comecei a viajar sozinha para o Rio de Janeiro a fim de visitar alguns amigos. Com o passar do tempo, viajei muitos outros lugares incríveis do nosso país. Até que uma amiga de infância resolveu se mudar para Madrid. Foi aí que começaram os planos de viajar para fora do Brasil.

Com minha mãe em Salvador

Aos 15, no Rio de Janeiro com os amigos

Com minha amiga Dina em Madrid

Depois de terminar a faculdade, decidi que guardaria dinheiro para viajar à Espanha e visitá-la. E já que estaria lá, por que não aproveitar para conhecer outros países por ali? Comecei minhas pesquisas na internet, comprei guias e tracei meu próprio roteiro. Afinal, fazer um pacote com uma agência de viagem estava fora de cogitação, pelo preço e pela obrigatoriedade de ficar preso no roteiro deles. Vi que era muito fácil viajar entre um país e outro. Montei meu itinerário, comprei as passagens, fiz as reservas e assim parti para meu primeiro mochilão na Europa. Encontrei alguns amigos no caminho (Velho em Lisboa, Gus em Roma, Pri em Paris).

Nesta primeira viagem internacional, percorri 9 países em 32 dias. Quando voltei, percebi que estava viciada. E a grande verdade é que quanto mais você viaja, mais você quer viajar e conhecer novos povos, novas culturas, novos sabores, novas histórias. É um caminho sem volta. Por isso, depois desta viagem, até agora já viajei por mais outros 12 países, incluindo minha última viagem à China. Se eu me arrependo em ter investido meu dinheiro nessas viagens? Jamais. Todas as experiências e o conhecimento que adquiri são algo que ninguém pode tirar de mim e eu não trocaria isso por nenhum bem material.

Por onde estive

Viajei sozinha a maior parte dos países que visitei. Não dá pra ficar sentado esperando alguém ir junto, só vendo a vida passar. E ao contrário do que muitos pensam, viajar sozinho não é estar solitário: acabamos aprendendo muito a respeito de nós mesmos e da nossa capacidade, seja de nos adaptar a uma situação inesperada, de conhecer novas pessoas ou de enfrentar medos. E isso é só o começo de uma infinidade de experiências que podem vir com uma viagem.

Entrada de Auschwitz – não tem como não sofrer um impacto na vida ao visitar um campo de concentração

Uma viagem significa muito mais do que ver um lugar bonito. Pense no que mais pode ser extraído de uma viagem. Descobrir as coisas pela sua vivência ali e não pelo que você imagina através das notícias ou do que ouve de outras pessoas é algo único. Você vai ver com seus olhos os lugares como um todo e não em partes como aparecem nas imagens que pesquisa na internet. Talvez ao passar por um lugar, você aprenda a história de luta e sofrimento de um povo e de repente perceberá que dá muita importância a problemas que são pequenos. Provavelmente haverá momentos em que tudo que você pode fazer é confiar na gentileza de um estranho e essa solidariedade vai fazer você enxergar as pessoas de outra forma. Vai deixar de ter preconceito de tantas coisas. Irá passar apuros e aprender a ser mais esperto na próxima vez. E quem sabe você também aprende a gostar de comidas que misturam o doce e o salgado? Vai dar risada das situações que passou porque a comunicação com os locais estava difícil. Depois, você irá conhecer pessoas no meio do caminho que também já viajaram muito e foram transformadas por experiências semelhantes e poderá compartilhar as suas com elas também. Ao voltar para casa, você pode até desfazer sua mala ou mochila, mas a bagagem da vida sempre estará bem cheia, fazendo parte de você e da sua evolução pessoal.

Enquanto ainda eu ainda tiver possibilidade, estarei planejando a viagem para o próximo destino, não importa se é aqui ao lado ou do outro lado do mundo. Cada lugar é único e pode te trazer novas experiências na vida. Com a mochila nas costas, enfrento os medos e parto para a próxima aventura. Para inspirar você a fazer o mesmo, deixo aqui um trecho do famoso livro “Mar sem fim”, de Amyr Klink:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

– Esse texto foi escrito para a seção “Tempo Livre” de um jornalzinho lá da empresa mês passado.