Sobre Pain of Salvation

Antes que você pergunte: não, não é uma banda gospel.

Esta banda sueca de rock/metal progressivo que foi fundada em 1991 pelo vocalista Daniel Gildenlöw, hoje conta também com Fredrik Hermansson (teclado), Johan Hallgren (guitarra) e Léo Margarit (bateria) . É uma das minhas bandas favoritas (talvez seja a minha preferida), e como no próximo domingo irei novamente ao show deles, resolvi escrever um pouco sobre a banda para quem ainda não teve a oportunidade de conhecê-la.

Para começar, posso afirmar que o Pain of Salvation não se parece com nenhuma outra banda. Aliás, eles mesmos não se parecem: cada álbum passa a impressão que estou ouvindo uma banda diferente. Podemos ouvir músicas mais pesadas, outras mais trabalhadas, românticas, algumas até com uma pegada de blues. Do meu ponto de vista, a originalidade é a essência deles.

Todos os álbuns são conceituais. As letras giram em torno de temas às vezes um tanto quanto complicados, por exemplo: relacionamentos, família, guerra, drogas, consumismo, abuso, superficialidade, imperalismo. Basicamente, o Pain of Salvation na maioria das vezes extrai o que pode haver de mais conflitante dentro de uma pessoa e coloca isso em música. As letras dão aquele impacto em quem ouve com atenção, e o jeito que o Daniel canta transmite o sentimento em questão.

Para vocês conhecerem um pouco do que é o PoS, farei um breve resumo dos temas abordados pelos álbuns (deixei o EP Linoleum e o acústico 12:5 de fora).  As legendas das figuras são trechos de letras dos álbuns.

1997 – Entropia

O nome do álbum vem de Entropia (medida de desordem em um sistema termodinâmico) + Utopia (o mundo ideal). Ele trata de uma família separada pela guerra. Nas palavras do Daniel, “sobre um pai que não consegue proteger sua família, sobre uma criança que precisa de um pai e não de um soldado, sobre uma sociedade que mata.”

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“Losing all I lived for… losing all I fought for.”

1998 – One Hour By The Concrete Lake

Uma pessoa trabalha numa indústria bélica. Ela foi ensinada que seu trabalho serve para proteger a população do seu país. Em determinado momento, ela pensa naquilo e começa a ficar com a consciência pesada: indiretamente, está matando milhares de pessoas. Então resolve andar por aí e ver as consequências da guerra.

Por que este álbum se chama One Hour By The Concrete Lake? Bem, talvez você não saiba, mas realmente existe um lago de concreto. É o lago Karachay, na Rússia. Ele foi usado por muitos anos como depósito de lixo radioativo e é provavelmente o mais poluído do mundo. Para tentar amenizar a situação,  jogaram milhares de blocos de concreto para impedir ao máximo que a radioatividade se espalhasse. Ainda assim, se você passar uma hora perto deste lago, sem chance: você morrerá em alguns dias.

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“And I am just a wheel in motion, too blind to see”

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Lago Karachay, Russia

2000 – The Perfect Element, Part I

Trata sobre os problemas na transição da infância para adolescência: drogas, amor, vergonha, arrependimentos, decepções, abuso, sentimentos conflitantes.

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“Getting used to pain”

2002 – Remedy Lane

É uma autobiografia do vocalista Daniel Gildenlöw. É conceitual, mas as músicas não estão em ordem cronológica. No encarte do CD, você vê datas e lugares e consegue colocar na ordem cronológica. Eu fiz isso, mas acho muito mais legal ouvir na ordem que está gravado o CD.

Amor, traição, novo amor, conflitos, tragédias, reconciliação. Esta foi a vida dele. Existe uma expressão que diz:take a walk down memory lane”, que significa “recordar o passado”. Aqui temos “take a walk down remedy lane”, que segundo o próprio Daniel quer dizer “reconciliar o passado e encontrar uma solução para a crise.”

PS: este é o meu preferido!

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“We will always be more human than we wish to be”

2004 – Be

É o preferido da grande maioria dos fãs da banda. Muito complexo para falar em um resumo, é pura viagem esse álbum: sondas espaciais, criogenia, a humanidade se destruíndo etc.

Nem me arrisco muito a falar, este álbum causa muita discussão. Melhor você ler este Review.

Uma curiosidade: a banda colocou um número de telefone à disposição dos fãs assinantes da newsletter, onde uma secretária eletrônica gravava as “orações”. Desta forma foi criada a faixa “Vocari Dei”.

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“Life’s turning its back on us…”

2007 – Scarsick (The Perfect Element, part II)

Os fãs criticaram muito este álbum pela sonoridade completamente diferente do que se espera de uma banda de “metal progressivo”.  Pode ver pelas músicas “Spitfall” e “Disco Queen”. Mas é como eu disse no começo: o Pain of Salvation procura fazer algo diferente a cada disco. Praticamente impossível rotular.

Mas vamos falar do tema do álbum: enquanto Perfect Element part I trata dos problemas da adolescência, este álbum é completamente político: imperialismo, captalismo, consumismo, guerra. Parece nada a ver, mas nosso querido Daniel Gildenlöw explicou que o personagem “He” em Perfect Element I é uma alegoria para a humanidade, e trata a parte psicológica do indivíduo, enquanto o Scarsick trata o sentido sociológico e explora a relação dos dois. Juro que se não tivesse lido isso eu nunca iria associar uma coisa com a outra.

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“Step into the dark age of treason…”

2010 – Road Salt One

Este album, também muito criticado pelos fãs pela falta de peso no som, fala sobre fazer difíceis escolhas, daquelas que envolvem todo o conjunto de caráter e moral de um ser humano, muitas vezes lutando contra seus desejos . Daniel Gildenlöw disse numa entrevista que o enredo deste disco é semelhante à história do filme Magnólia.

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“So many choices burned into my mind…”

Lógico que Pain of Salvation é muito mais que isso que eu escrevi aqui.

Se você se interessou e quer ouvir a banda, clique aqui e ouça a playlist que fiz no Grooveshark.

Site oficial: www.painofsalvation.com/

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